sábado, 10 de março de 2012

Jogando AK Fora de Posição








Jogando AK fora de Posição

Por: Jon “Pearljammed” Turner

As e Reis pode ser uma das melhores mãos inicias no pôquer, mas você deve jogá-la de forma correta em cada posição para ser paga – especialmente nos primeiros estágios de um torneio.
Recebê-las nas primeiras posições nos adiciona outro desafio. Mas se você apostar de forma consistente e mantiver seus olhos nos oponentes, você estará apto a ganhar mais que alguns potes quando você tiver o “Big Slick”.
Para começar, vamos pegar os primeiros estágios de um torneio. Vamos supor que eu tenha 3,000 fichas e os blinds são 20/40, e eu estou na primeira posição com AK. Eu vou aumentar para 120 supondo que muitos jogadores irão pagar. Independente da minha posição, essa é uma boa situação. Com apenas duas pessoas pagando, eu suponho que tenho a melhor mão.
Supondo que o flop venha A ou K – x – x. Eu devo ser cuidadoso para não sobrevalorizar a minha mão aqui. Se eu faço um check-raise está óbvio que eu acertei algo e eu estarei expulsando algumas mãos mais fracas que a minha que eu poderia manter na mão caso eu apenas aplique o check/call. A melhor jogada aqui é evitar o slowplay e sair aplicando uma aposta contínua (continuation bet) como eu faria em qualquer outro tipo de flop. Isso não ajuda apenas a construir o pote como evita que meu oponente ganhe uma carta grátis que pode me custar caro mais tarde.
Se eu receber ação de algum oponente após sair apostando, eu provavelmente peço mesa no turn. Fazendo isso, eu posso controlar o tamanho do pote e induzir o oponente a blefar com mãos fracas. Se meu oponente pedir mesa após, eu posso apostar no river por valor e tentar ser pago com mãos como um par de valetes ou par de dez. Se meu oponente tiver um As mais fraco, pedir mesa no turn e apostar no river também é um meio de extrair mais dinheiro desse oponente.
Se meu oponente apostar no flop e apostar após eu pedir mesa no turn, eu vou apenas pagar sua aposta e esperar pelo river. Novamente, check-raise não é uma boa jogada, pois eu irei expulsar mãos mais fracas e me custará muito dinheiro quando eu estiver enfrentando uma mão forte.
Se eu sair apostando no flop e for aumentado pelo meu oponente, eu normalmente irei apenas pagar e analisarei o turn. Eu raramente irei fazer um aumento em cima dele, pois normalmente ele tem mãos fracas que ainda podem colocar mais dinheiro no pote. Uma situação aonde eu irei aumentar, independentemente, é quando eu enfrento um jogador que freqüentemente supervaloriza suas mãos – especialmente quando ele tem um par de As. Se eu estou enfrentando oponentes como esses, eu posso aplicar um all-in nele para que ele pague estando atrás.
Assumindo que eu apenas paguei um re-aumento dele no flop, eu irei pedir mesa no turn como eu fiz no exemplo anterior. Se meu oponente pedir mesa no turn após eu ter feito o mesmo, eu irei apostar meu AK no river por valor e espero ser pago. Se meu oponente apostar no turn após eu pedir mesa, então eu tenho uma decisão difícil. Se ele está aplicando um second barrel (apostar no flop e no turn) eu posso ter certeza que ele segura uma mão forte como uma trinca e que ele tem uma boa idéia do que eu estou segurando. Isso é especialmente verdade se eu estou enfrentando um jogador experiente.
Eu posso desistir do meu AK aqui para esperar uma oportunidade melhor para apostar minhas fichas ou talvez eu possa pagar dependendo do tamanho da aposta e algum histórico que eu tenha contra esse jogador. Se eu pagar e ele apostar forte novamente no river, eu irei desistir assumindo que raramente ele fará três apostas blefando ou estará apostando com um kicker pior que o meu.
Uma situação aonde eu não quero pedir mesa no turn é se o flop veio K –x –x com duas cartas do mesmo naipe. Nessa situação, eu saio apostando se a carta que completa o flush não vier para proteger a minha mão de um possível flush no river. Se meu oponente tiver uma trinca ou alguma outra mão que esteja me vencendo, ele irá fazer um aumento sobre mim protegendo a mão dele. Isso complica as coisas ainda mais, pois eu devo pensar muito bem o que meu oponente tem para saber qual decisão tomar. Se eu pensar que ele realmente tem uma boa mão ou que ele é um jogador sólido eu irei desistir e irei procurar uma situação melhor.
AK é uma mão muito poderosa, mas ela também pode ser perigosa – especialmente se você está jogando das primeiras posições. Aplicando a aposta contínua no flop você pode ter uma idéia de quão forte ou fraco os seus oponentes são e assim planejar quais serão suas jogadas posteriores. Dependendo se seu oponente pagar ou aumentar, pedir mesa no turn e apostar no river por valor pode lhe render algumas fichas extras, ou lhe poupar algumas fichas caso você seja forçado a desistir com uma mão forte.

Artigo publicado originalmente no site MagicPoker

terça-feira, 6 de março de 2012

Não Bata no Aquário

Excelente matéria escrita pelo Tiquinho do site "Quero Ser Shark" que estou compartilhando com vocês. 

Não bata no aquário



Olá pessoal! Como estão?
Depois de um tempinho sumido, aguardando as alterações do site, estou de volta aqui no blog da PokerLab. Sim! O TeamSNG mudou e agora é PokerLab! Com novos projetos, patrocinadores, instrutores, métodos e muitas novidades, o site promete muito para 2012!
A partir de agora vou postar mais vezes na semana, e vocês podem sempre passar aqui no blog para se atualizar :)

Bom, no meu post de hoje eu quero falar com vocês sobre uma conduta que muitos jogadores adotam, e que eu considero muito errada: Ofender os fishs.
Pra quem não sabe, no Poker, quando um jogador não é muito bom, dizemos que ele é um fish (peixe), que é sempre devorado pelos bons jogadores sharks (tubarões).
Quando sentarmos para jogar, devemos sempre buscar esses jogadores, para que possamos explorá-los e lucrar em cima das suas jogadas, que pela falta de conhecimento, embriaguez ou psicológico alterado, etc, desses jogadores, serão de alguma forma jogadas ruins, com expectativa negativa no longo prazo.
No entanto, as jogadas ruins no longo prazo, vez ou outra são vencedoras, e é nessa hora que alguns jogadores com maior conhecimento (ou não), e que estão na mesa para lucrar, acabam batendo no aquário.
- Como você pagou com essa mão horroroza?
- Não acredito que você deu call nessa aposta monstro apenas com o gutshot?
- Você deu call na four bet só porque tinha 2 cartas de ouros e queria tentar um flush?
Isso quando não partem para os palavrões e ofensas aos jogadores que praticaram tal proeza…

O que devemos entender, é que nem todos jogadores sentam-se numa mesa de Poker com o objetivo de ganhar. Muitos sequer sabem as regras, e só querem um pouco de diversão após um longo dia de trabalho. Eles não se importam se a sua jogada é -EV, se é errado dar call sem odds. Eles não sabem o que é odds e nem querem saber! Como cobrar que entendam o que é flat call, c-bet, implied odds, etc…
Acontece que quando você toma uma atitude grosseira, ou pergunta como ele pode dar call com aquela mão horrível, você desperta no fish o que ele não quer saber. Você o deixa alerta de que a jogada dele não é boa, e provavelmente ele não irá repetí-la.
Parabéns! Agora ao invés de entrar nas mãos na frente dele, você é quem estará atrás rezando por cartas!
- Fish, não pague 3 bet do regular tight com Ax, pague com um range maior!
- Não dê call quando eu fizer uma aposta que você não tem odds para pagar. Dê fold!
- 59 de copas? É open fold colega!

No live algumas pessoas tratam tão mal os fishs, que muitos deles não voltam a jogar, uma vez que queriam um pouco de lazer e acabaram arrumando confusão.

Se você espanta os fishs todas as vezes que você joga, o que você acha que vai sobrar? Tubarões claro!
Não estou dizendo que o Poker não deve ser ensinado, e que você deve guardar os seus segredos a sete chaves. Se os grandes jogadores tivessem guardado seus segredos, talvez não tivéssemos livros, fóruns, coachs, escolas de Poker, revistas, portais e outros tantos meios que nos ajudaram a evoluir. Se uma pessoa já está decidida a melhorar no jogo, não vai ser a sua ofensa ou “correção” que irá mudar isso.

O que eu estou dizendo que você não deve fazer é mostrar para aquele cara que NÃO QUER APRENDER a jogar Poker, que ele deve aprender a jogar se não quiser perder. Porque quando você faz isso ele vai tomar 2 caminhos:
Primeiro: Vai procurar melhorar para também ganhar dinheiro, e você terá mais dificuldade de ganhar o dinheiro dele.
Segundo: Vai parar de jogar e ir gastar seu dinheiro em outro lugar.

E não é isso que nenhum de nós quer!
Cuide do seu aquário, alimente seus peixes e você como tubarão terá sempre alimento disponível.

Abraços a todos e até a próxima!

Thiago Pessoa

@TiquinhoQSS
@querosershark
@queroapostar
Tiquinho escreve também no:
www.querosershark.com
www.queroapostar.com
www.como-jogar-poker.com

domingo, 4 de março de 2012

Mágicas com Cartas - 20º Truque



Essa mágica é facil de fazer, só dependendo de um pouco de treino.
O  início do video é um pouco chato com o "mágico" fazendo uns agradecimentos, mas depois ele faz o truque corretamente e ensina a fazer passo a passo.

Veja também os outros truques dessa série Clicando Aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2012

PokerCast Bluff Brasil #7 - Entrevista com Quentin Lae

PokerCast da Revista Bluff Brasil #7 - Entrevista com Quentin Lae

Mais uma edição do excelente programa PokerCast em que os apresentadores Guilherme Kalil e Marcelo Lanza nos atualizam sobre as novidades do Poker no Brasil, sempre com muito bom humor.
Também neste programa entrevistam o ganhador de dois WCOOPs de Omaha, Quentin Lae, que apesar de ser frances, está vivendo no Rio de Janeiro à alguns anos e já fala muito bem o nosso idioma.
E de brinde ainda entrevistaram a lenda do tênis Boris Becker. Infelizmente a entrevista do Boris está toda em inglês, ficamos na torcida que alguém faça a tradução.
E no final do programa o Kalil conta as peripécias pela qual passou para conseguir recuperar seu celular. Muito divertido, vale a pena baixar e curtir mais esse PokerCast.


Clique aqui para baixar o arquivo em MP3
ou
Clique aqui para ouvir direto no site oficial

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Personalidades do Poker - 20º Card

Johnny "Grand Old Man" Moss

Johnny "Grand Old Man" Moss nasceu em Marshall, no Texas a 14 de maio de 1907.
Em Dallas, ele aprendeu a jogar ainda menino. Quando ele tinha dez anos, alguns trambiqueiros lhe ensinaram como fazer trapaças no Poker, mas ele optou por não utilizar tais habilidades, em vez disso, ele usou o seu conhecimento para conseguir um emprego em um bar local, onde era responsável por detectar trapaceiros.
Foi durante este tempo, que ele viu e aprendeu a estratégia do jogo, que mais tarde usou para lançar a sua carreira: "Depois que eu aprendi uma coisa ou duas, tornei-me num jogador de estrada, jogando em qualquer sitio onde pudesse encontrar um bom jogo. México, Tahoe, onde quer que eu pudesse jogar, mas eu não tive que roubar, fiz todo o meu dinheiro jogando limpo, mas tenho a certeza que vi muita “trapaça” naqueles dias ", disse Moss.
"Uma noite eu estava jogando numa cidade pequena – não me lembro onde, talvez em Oklahoma – e vi que na sala haviam jogadores com aliados espionando as minhas cartas através de um buraco no teto.
Puxei então a minha arma. Sempre transportava uma arma comigo naqueles tempos, e disse: Agora, rapazes, vou disparar uma bala no teto se o homem que está lá em cima não descer expontaneamente.
Eles pensaram que eu estava fazendo um “bluff” e acabei acertando no rapaz, no seu traseiro"




Em 1949, Moss jogou contra Nick "The Greek" Dandoles em um jogo de poker de cinco meses de duração.
Esta talvez seja uma das mais incríveis histórias dos tempos áureos do Poker, que vou tentar resumir.
Nick “The Greek” Dandalos, que já tinha ganho mais de 60 milhões, jogando cartas, e perdido tudo nas corridas de cavalos, chegou em Las Vegas em busca de ação.
E ninguém melhor na cidade para providenciá-la do que Benny Binion, o dono do cassino Binion’s Horseshoe. The Greek propôs que Benny armasse uma maratona de "Poker high stakes" entre ele e qualquer outro jogador da região.
O nome escolhido por Binion foi o do texano Johnny Moss, o mais talentoso jogador que ele conhecia.
Conta a lenda que, quando o convite chegou a Moss, ele estava jogando Poker em Odessa havia 72 horas diretas sem dormir. Mesmo assim, pegou o primeiro avião para Vegas e foi direto do aeroporto para o Horseshoe, onde Benny Binion armara uma mesa na frente do cassino para chamar a atenção dos turistas.
Assim começaria uma das partidas mais famosas de história do Poker, que é considerada o embrião da World Series of Poker (WSOP) moderna.
Nick Dandalos, natural de Creta, tinha 65 anos. Era formado em filosofia e gostava de recitar poesia. Já Moss tinha 23 anos a menos e, na escola, não chegara ao colegial.
Apesar de ser teoricamente um heads up, o jogo era aberto para quem quisesse entrar.
Mas o buy-in mínimo era de US$ 10 mil (cerca de US$ 85 mil hoje, se calculada a inflação) e todos os parceiros que se arriscaram não duraram mais do que dois ou três dias.
Nick abriu uma boa vantagem sobre Moss no começo.
Em uma famosa mão de 5 Card Stud (ou “Sticky Poker” no Brasil), Moss tinha as cartas  6-9-2-3 abertas e um nove fechado. As abertas de Nick eram 8-6-4-J. Com mais de US$ 100 mil no pote, Nick apostou US$ 50 mil e Moss voltou de all in. Nick colocou seus últimos US$ 140 mil na mesa e disse: “Acho que tenho que pagar, porque acredito que minha carta fechada seja um valete.” Ao que Moss respondeu: “Se você tem mesmo um valete, vai ganhar um belo pote.” Para a decepção de Moss, Nick realmente tinha o valete e puxou US$ 500 mil. Um detalhe é que o grego só fez seu par milagroso na última carta, depois de pagar duas apostas altas de Johnny Moss.
Durante os 5 meses seguintes, que o duelo durou, Moss e Nick praticamente só deixaram a mesa para dormir.
Isso em intervalos de quatro ou cinco dias. E muitas vezes The Greek ia direto do Poker para os craps (dados) enquanto o seu adversário descansava.
Numa ocasião, Johnny voltava de um cochilo quando encontrou Nick. “O que você vai fazer, Johnny, desperdiçar a sua vida dormindo?”, disse Nick.
Em meados de maio, depois de uma maratona incrível, Nick estava entre dois e três milhões no negativo.
Ajustada a inflação, seria uma cifra na casa dos US$ 20 milhões. Ele então disse ao seu adversário uma frase que se tornaria célebre em Vegas: “Senhor Moss, tenho que deixar você ir.” O duelo talvez mais incrível da história do Poker terminaria ali.

Era assim o poker antes da existência das World Series of Poker, evento que teve a sua primeira edição em 1970, e onde o vencedor foi encontrado por Votos dos outros jogadores.
Moss era já tido como o melhor jogador e foi votado em consonância. No ano seguinte, e já num torneio, Moss provou ser de fato o melhor jogador, vencendo o Evento Principal "$5.000 No Limit Hold'em World Championship", no ano seguinte veio o seu segundo título de campeão com premiação de US$ 30.000.
Pouco depois Moss tornou-se campeão pela terceira vez, um recorde compartilhado apenas por Stu Ungar, ao vencer o "WSOP 1974 $10.000 No Limit Hold'em World Championship" com premiação de $160.000.

Moss tem um total de nove Pulseiras do W.S.O.P: alem dos três braceletes do Campeonato do Mundo, em 1971 ele conquistou tambem o "Limit Ace to Five Draw" ($10.000), 1975 "1.000 dólares Seven Card Stud" ($44.000), 1976 "$500 Seven Card Stud" ($13.000), 1979 "$5.000 Seven Card Stud" ($48.000), 1981 "$1,000 Seven Card Stud Lo" ($33.500), e 1988 "Ace $1.500 para cinco Draw" ($116.400 dólares).

Moss, que jogou em todos os W.S.O.P. compreendidos entre 1970 e 1995, foi indicado para o Poker Hall of Fame.
Ele foi apelidado de "Grand Old Man" por causa da sua longevidade a jogar e de jogar de forma superior o poker, a mão inicial Ace-Ten (Ás- Dez) tem sido denominada de "o Johnny Moss."

Em seu livro "Super System 1978", Doyle Brunson escreveu sobre Moss: "Eu sempre fui um apóstolo de Jonh de No-Limit.
Costumava observar-lo e vê-lo em cada jogo de poker… A verdade é que John era geralmente o grande vencedor nos jogos… Comigo em segundo lugar.
Conforme os anos passaram, a margem entre nós tem sido cada vez mais estreita porque eu de vê-lo, acabei conhecendo-o, como qualquer jovem aprendiz pode assistir e aprender com o mestre no seu campo de batalha…
Eu tenho muito mais respeito por Johnny do que por um monte de jogadores mais jovens.
No seu auge, ele foi o melhor jogador no limite que eu já vi, e um monte de gente não acredita nesse fato porque eles são jovens demais para ter visto o Johnny jogar no seu melhor."

Em 1927, Moss se casou com Virgie. Eles viveram juntos por toda a sua vida.
Logo em seguida nasceu sua unica filha, Eleoweese.
Até a sua morte, Moss sempre residiu em Odessa, Las Vegas.
Johnny Moss, faleceu em 16 dezembro de 1995 aos 89 anos.
Ele tem mais de 1.000.000 dólares em prêmios na carreira e ganhou o status para sempre de "lenda" no mundo do Poker.



Clique no Card para ver em Tamanho Natural



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Usando 3-bet Light

Usando 3 Bet Light


Danilo Telles

O que é 3-bet light?
Primeiramente, o que é uma 3-bet? É um termo usado aqui para descrever uma situação pré-flop (no entanto também descreve pós-flop). E é basicamente um reraise. Como um exemplo é o UTG aumentando para 4BB e então o UTG+1 fazendo um reraise para 12BB, que é uma 3-bet.
OK, próxima pergunta, sobre o que é a parte “light”? Bem, a maioria dos jogadores, quando começa a jogar poker em um nível decente tende a somente fazer reraise (3-bet) com mãos muito fortes no pré-flop, tipo QQ+ e algumas vezes AK e coisas assim. “3-betar” light significa que você faz isso com algumas mãos mais fracas também, como AQ, 66, 78s, etc, etc…

Por que nós 3-betamos light?

Estou certo que todos dizem que indo all in com um combo draw é bom porque agora você pode jogar seus sets (trincas) da mesma maneira e será pago com mãos mais fracas. Agora, desculpe, mas isso é um pouco de besteira. Bons jogadores sacam exatamente o que você está fazendo, então eles não pensarão nada disso. E maus jogadores não foldam TP+ (pares altos) de jeito nenhum. Sem mencionar que as pessoas ainda estão muito medrosas para jogar seus sets de qualquer maneira.

Mas quando você faz 3-bet light, isso realmente afeta a maneira que o vilão o vê. Quando você mostra 79s depois de 3-betar pré-flop, isso faz com que o vejam como um maníaco, mas eles ainda não terão idéia de como responder. Eles passam a pagar mais suas apostas com jogos piores (então, obviamente você irá reajustar sua freqüência de 3-bet).

Agora para o ponto “c-bet=$$$$”. Você sabe que quando você aumenta pré-flop e faz uma continuation bet (bet flop quando se é o agressor no pré-flop) no flop normalmente, você será pago com os menores pares da mesa, gutshots, etc. Toda tipo de lixo, apesar de você ter AK, certo? Mas em potes reaumentados (com 3-bet), as coisas acontecem de maneira diferente. Todos o colocam em AA de repente. Então, eles pagam pré-flop porque pensam que tem implied odds e vão tentar flopar uma boa mão com seus 78s ou seus 22. Mas eles irão dar check/fold (pedir mesa e foldar para aposta) todos as vezes que não floparem um set ou dois pares.

Nota importante em c-bets em potes com 3-bets:

Não aposte mais do que faria em um pote normal. Seus c-bets em potes reaumentados devem ser entre 1/2 pote e 2/3 do pote, não mais. A razão para isso é que normalmente ambos estarão blefando, então não teremos que ganhar com tanta freqüência se apostarmos menos. Ou nós temos uma mão muito boa, e devido a relação pote/stack, nós podemos ir all in facilmente sem apostar tanto.

A quem devemos dar 3-bet light, com que mãos e em qual posição?

Nâo há como exagerar no quão importante é a leitura quando damos 3-bet light. Você primeiramente precisa saber quão light alguém está apostando. Não faz sentido dar 3-bet light se o cara que aumentou é um tipo passivo pré-flop, ou mesmo um tipo loose passivo pré-flop. O tipo que você quer são os agressivos ou mesmo os TAGs (conservadores agressivos. Apesar de um jogador maníaco fazer raises muito light (ou seja, com mãos fracas), ele também irá pagar raises da mesma maneira e não foldará para c-bets, então ele não é uma boa pessoa para dar 3-bet light.

Igualmente, tente fazer a leitura de quais são os ranges de call em 3-bets e como eles jogam pós-flop depois de terem feito o call. Se eles pagam muito pré-flop e desistem no flop, faça 3-bets nesses caras. Se eles fazem 4-bet light e check-raise com blefes em muitos flops, com bastante freqüência, não faça 3-bet light com esses caras.

Isso é essencialmente senso comum, mas é muito importante.
As mãos que você deve dar 3-bet são aquelas que você pode vencer um grande pote. 78s, 33, etc. Também mãos que têm um bom valor no showdown, como AQ, KQs, etc.

Posição também é muito importante. Lembre que pessoas aumentam muito mais no button que no UTG, etc. E mais, quando você tem posição você pode ir de check behind (pedir mesa depois do primeiro a falar) em alguns flops por controle de pote, etc.

Uma das chaves do 3-bet light é jogar bem em potes reaumentados. Isso exige leitura. Você precisa entender de controle de pote e sobre sua imagem. Eu realmente recomendo que você pratique até a perfeição. Talvez descer um nível se estiver um pouco com medo. E se você precisa de alguma ajuda em mãos em potes com 3-bet, entre em contato com alguém e tenho certeza que irão ajudá-lo.


Artigo publicado originalmente no site MagicPoker.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Poker não deve ser considerado contravenção

 

Poker não deve ser considerado contravenção

Por Eduardo Mahon

Vamos direto ao ponto. A prática do poker juridicamente configura-se contravenção penal? É preciso esclarecer publicamente a questão, em benefício de milhares de amantes do esporte, já que historicamente a prática está ligada ao preconceito que não distingue jogos de cassino movidos à sorte e outras práticas que requerem habilidade.
Para responder se poker é ou não contravenção, precisamos entender o que é, afinal de contas, a contravenção que se liga ao jogo de azar. O artigo 50 da Decreto Lei 3.688/41 disciplina que “o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”. Assim, o fator aleatório da sorte é preponderante na definição de contravenção penal. Caso se comprove que qualquer jogo não depende fundamentalmente da sorte, revela-se um caso de legalidade.
O gamão, onde há dados jogados aleatoriamente, por exemplo, não é jogo de azar, porque os esportistas aproveitam-se da habilidade para maximizar as oportunidades oferecidas, contando com erros dos adversários e uma gama de estratégias implícitas. O pif-paf e o bridge são outros exemplos em que os competidores recebem cartas aleatoriamente, mas fazem delas oportunidades para envolver adversários em estratégias que variam de acordo com as habilidades de cada um.
Diversamente, a roleta é um caso clássico de jogo de azar. Por quê? Porque o jogador não tem qualquer controle sobre os números, não há estratégias matemáticas possíveis contra quem promove o jogo e, matematicamente, os jogadores já entram em desvantagem de alguns pontos porcentuais. Os dados são outro caso clássico de jogo de azar, porque embora haja um combinado de probabilidades, não há resultados previsíveis a longo prazo, porque cada rodada é completamente independente da anterior.
Mas e o poker? Em que categoria enquadra-se? O jogo (na modalidade texas hold’em) consiste em receber cartas fechadas e contar com rodadas de apostas a medida em que são reveladas cartas comunitárias. É claro que, numa determinada rodada ou mão, um jogador pode receber cartas extremamente favoráveis, mas o jogo não consiste numa única rodada, em eventos aleatórios e desconexos uns dos outros. Ao contrário – para haver vitória num torneio, é necessário avaliar matematicamente centenas ou milhares de conjuntos de cartas, acumulando ou desperdiçando fichas.
O poker está vencendo o preconceito diariamente. O Instituto de Criminalística de São Paulo (órgão policial), ao avaliar a estrutura do jogo, emitiu um laudo definitivo (01/020/0058872/2006), no qual está consignado: “inferem os peritos que se trata de um jogo de habilidade do jogador que participa desta modalidade que depende da memorização, das características das figuras apresentadas no decorrer do jogo e do conhecimento das regras e estratégia de atuação em função destes fatores”.
Mas não é só. Consultado a respeito, o maior perito brasileiro, Ricardo Molina, deixou assentado num extenso, complexo e definitivo trabalho: “como vimos e demonstramos, inclusive matematicamente, a habilidade é decisiva para o ganho no texas hold’em. De acordo, pois, com a definição dada no texto do Decreto Lei 3.688/41, ou por qualquer outro critério no qual o nível de habilidade do jogador é decisivo para o ganho, a modalidade de pôquer conhecida como texas hold’em não pode ser considerada jogo de azar”. A conclusão veio cotejando centenas de cálculos matemáticos.
Finalizamos aqui o primeiro de dois artigos a respeito. No próximo, veremos como trata o Poder Judiciário e o que está acontecendo no mundo e no país para desmistificar a sorte e sepultar o preconceito que tenta inculcar na sociedade o medo e a insegurança.
Acima, exibimos uma série de argumentos de ordem técnica, essencialmente matemática, demonstrando que o poker texas hold’em não é jogo de azar e sim de habilidade. Vimos, na visão policial e de peritos, que essa modalidade é respeitada e nada tem de contravenção penal. Neste ensaio, vamos passear pela visão jurídica brasileira.
O que entendem os tribunais a respeito? Instado a se manifestar sobre uma casa de promoção de torneios de poker, o Tribunal de Justiça de São Paulo unanimemente posicionou-se da seguinte forma: “(...) assim decidem por já ter sido o pif-paf considerado jogo não punível, em reiterada jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal. É certo que o pif-paf como o pôquer, não pode ser considerado como jogo de azar, pois não dependem exclusivamente de sorte, como o bacarat, a campista e outros jogos carteados. O ganho depende da habilidade e da observação dos parceiros”. (AC – RT 228/499)
Mas não foi somente em São Paulo que houve pronunciamento judicial. Como já citado, até mesmo o Supremo Tribunal Federal já deixou consolidada a interpretação sobre o tema. E, recentemente, juízes concederam autorizações para o funcionamento não só de casas onde se fomenta campeonatos, como de etapas de torneios estaduais e brasileiro. Vejamos. Em Santa Catarina, a Desembargadora Sônia Maria Shmitz (MS 2010.047810-1): “(...) é possível inferir que suas regras dependem de probabilidades matemáticas, conhecimento das regras e estratégias do jogo, capacidade psicológica do apreender as reações dos adversários, possibilidade de dissumular as próprias cartas e de prever as cartas dos demais, aspectos que entremostram, nesta fase preliminar, a proeminência da habilidade sobre a sorte”. E por aí vão julgados em todo o país.
No ano de 2010, o Internacional Mind Sports Association – IMSA – que regula internacionalmente as características dos jogos da mente (xadrez, gamão etc) reconheceu o poker como esporte. Foi uma enorme conquista para os apreciadores da modalidade texas hold’em porque, pela primeira vez, associaram-se formalmente com um comitê internacional que classifica tecnicamente o que é ou não uma prática desportiva.
E no meio brasileiro? O que tem acontecido de mais significativo? O Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR) autorizou a veiculação de propaganda do jogo em site especializado em canal aberto, considerando o poker jogo de habilidade e não de sorte, desconfigurando-se completamente a contravenção penal. Para tanto, usou-se de decisões judiciais e um parecer assinado por um dos maiores juristas do país, Dr. Miguel Reale Júnior.
Atualmente, a Confederação Brasileira de Texas Hold’em organiza o campeonato brasileiro da modalidade, em eventos abertos ao público, televisionados e que reúnem milhares de desportistas de todos os Estados. Nunca a CBTH deixou de contar com um alvará de funcionamento da municipalidade em função da caracterização do poker texas hold’em como jogo de azar. Portanto, em todas as etapas da história do BSOP (sem exceções), houve ciência do poder público e consequente autorização para organizar e divulgar o evento ligado ao poker. O desafio é trazer para Cuiabá uma etapa que reúne mais de mil esportistas de toda a nação.
Em Mato Grosso, rumamos para a organização da Federação Mato-Grossense. Centenas de jogadores praticam o poker de forma presencial ou jogando on-line. Foram realizadas várias etapas do circuito cuiabano e mato-grossense em hotéis e casas de eventos. É preciso informação para combater o preconceito, ignorância e a perniciosa fofoca. Está superada a velha imagem (própria de filmes de Hollywood) de falcatruas, embustes e perdas milionárias no poker. Essa névoa de James Bond está se esvaindo e sobrando lugar para a capacidade intelectual, matemática e psicológica dos praticantes de um nobre jogo que merece respeito.

Eduardo Mahon é advogado em Mato Grosso e Brasília, doutorando em Direito Penal e membro da Academia Mato-Grossense de Letras.

Revista Consultor Jurídico, 23 de janeiro de 2011