sábado, 7 de abril de 2012

Grindar ou Não ?


Hoje consegui que meu grande amigo Marcio fizesse um post aqui para o blog.
Estavamos conversando sobre a necessidade de se jogar varias mesas ao mesmo tempo ( Grind ou Grindar ) e ele se propôs a fazer um texto explicando sua forma de pensar sobre o assunto. E o artigo ficou muito bom. Vale a pena ler até o final.

Grindar ou Não ?


Bom, primeiramente, vou me apresentar aos leitores deste nosso humilde blog.
Sou o Marcio. Os mais atentos já devem ter me visto, quando no ano passado eu e o Luke fizemos um vídeo analisando uma cravada minha num torneio, postando-o aqui o blog.
Jogo poker há mais de 5 anos, no início, como a maioria, jogava só playmoney.
Não tenho o poker como meio de vida, mas nesses anos passei a amar o jogo e a criar pequenos desafios, como por exemplo, quando em 2009 eu me cadastrei na Pokerstars e la ganhei US$2,00 (dois dólares) de bônus, que cheguei a transformar em US$250,00 jogando torneios de microlimites, mas isso não faz de mim um grande jogador, apenas um entusiasta, que espero, me leve um dia a ser um bom jogador.
Bom, após esse pequeno cartão de visitas, vou abrir esse post explicando que, tudo que escrever será baseado em minhas próprias experiências e se refletem no meu modo de jogo, o que necessariamente não se reflete no modo de jogo de outras pessoas, espero apenas poder dar a todos uma visão a mais para que possam adquirir mais bagagem na hora de tomar decisões em suas jogadas.

O propósito deste post, vem de uma pequena conversa que acabei de ter com o Luke, a respeito da forma que temos jogado. Ultimamente têm se acumulado as “bads beats” e rareado as mãos boas para se entrar no pote. O que tem feito, mais do que nunca, que joguemos tigh em torneios, os quais na verdade a agressividade é a maior arma para se chegar ITM ( In The Money ).
Quem joga torneios de limites baixos sabe que a “variância” é monumental, infinitamente maior que em outros níveis, portanto, o grande vilão a se combater nos “micro limits”.
Agora, não vou me impor dizendo que tenho a grande solução para isso, pois não sou mais que um jogador de poker, como você, mas assim como você, tenho potencial para crescer.
Nunca tire isso da cabeça: VOCÊ tem potencial e deve estimular isso até não poder mais.
Leia tudo, até mesmo o que eu escrevo, estude, assista vídeos, pois sempre você vai conseguir aprender mais uma ou duas coisas que lhe ajudarão nas mesas.

Mas vamos ao que interessa, nossa conversa (eu e o Luke) girou em torno da quantidade de mãos que pegamos durante nossas sessões e como têm sido poucas as oportunidades de entrar em potes.
Agora, creio que os jogadores experientes concordem comigo que passar muitas horas jogando sem pegar boas mãos deixa o psicológico do jogador abalado, ainda mais quando finalmente vem uma mão “Premium”, por exemplo, e a perdemos numa bad. Isso fica em nossas cabeças nos martelando e minando nossa confiança, mais do que deveria.
Um jogador consciente até sabe que deve botar a “bola pra frente” e seguir jogando, mas se isso se repete mais vezes acaba realmente desestimulando e a partir de um dado momento, o jogador acaba sentando numa mesa já como um derrotado, eventualmente por seu próprio psicológico.
Um lado que quero abordar nesse texto é como usar o “grind” para evitar isso. Usar a matemática para evitar que a carência de boas mãos e as bads minem seu espírito competitivo no poker.
Agora, tomando como exemplo as sessões que eu e o Luke temos jogado, sessões que duram em torno de 2 a 3 horas, com 2 a 4 mesas simultâneas, muitas vezes nos deparamos com o fato de ter que ficar 10, 15, e as vezes ate 20 minutos “foldando” ou entrando de “limp”, por só receber mãos que não estariam dentro de nosso range normal de jogo.
Analisando isso matematicamente, um torneio de 45 lugares (uso como base os torneios SnG de 45 lugares da PokerStars, que são os disputados por nós atualmente, limites de 25c a 2,50$) têm uma duração media de 2h30, onde se recebe uma media de 150 a 200 mãos para se chegar a uma FT ( Final Table ou Mesa Final ) e, em torno de 250 a 300 mãos para se chegar ao HU ( Heads Up ou Mano-a-Mano ) do torneio.
Na melhor das hipóteses, jogando 2 torneios simultâneos, jogaremos em quase 3 horas, apenas 500 a 600 mãos. O que, convenhamos, em poker, matematicamente, significa NADA.
Se, num dia relativo de sorte, você chegar ao HU, ou na FT que seja, nesses dois torneios, você precisara ter jogado (e ganho) pelo menos 10 a 15 mãos, com bons potes, entre as 150/200 mãos recebidas para se chegar à FT. Para isso, ou você recebe cartas que você tenha confiança de jogar agressivo, ou recebe cartas “Premium” e torce para que algum “donk” não lhe aplique uma tremenda bad.
Bom, vamos aumentar isso.
Mudemos de 2 mesas simultâneas para 12 mesas.
Significa aumentar a matemática para algo em torno de 100 a 150 mãos/hora por mesa. Ou seja, uma  possibilidade real de jogar só em 1 hora, 1200 mãos pelo menos, aumentando as chances de receber mãos dentro do nosso range proposto de jogo, evitando assim, que sejamos obrigados a sair desse range para obtermos ação e por meio disso arriscarmos mais na sorte do que na habilidade para conseguirmos sobreviver no(s) torneio(s).

Sim, senhores. Esse texto se trata exclusivamente de defender o “grind” em torneios, algo que muitas pessoas acham meio absurdo. Nunca conversei com um bom profissional a respeito disso, mas todos que vi “grindando” obtêm lucratividade boa a partir desse ponto.
Minha experiência pessoal com “grind” não é extensa, e só resolvi escrever a respeito porque, para mim, os números parecem convincentes demais para serem deixados de lado. GRINDAR  no poker online é uma ferramenta necessária para se obter lucratividade. Se você que começou no poker e olha com ceticismo os jogadores que jogam 12, 18, 30 mesas ao mesmo tempo (e eu fui como você), abra sua mente e veja que dominar essa “ferramenta” faz parte integral desse pacote de emoções que é o poker. Tente, teste, assimile, treine. Acima de tudo, siga a risca sua meta.
Como disse, minha experiência com grind é limitada.
Por algum tempo joguei cash grindado, 12 mesas simultâneas, na Party Poker, e por um periodo, fui bem lucrativo.
Coloco, agora, um dos inimigos do grind. Em determinado momento, achei que, se eu abrisse o range e jogasse com mãos mais marginais, arriscando para ver flop, entrando de limp ou até forçando uma agressividade ocasional com mãos que eu NUNCA seria agressivo, poderia DAR SORTE e acertar, ou que, mesmo que não acertasse, quando uma mão premium em outra mesa vingasse, eu reporia a eventual perda. Isso é um ERRO!
Sair do script é o maior erro que se pode cometer no poker.
Quando você determina que tipo de jogador você é, você precisa evoluir, e não regredir. Virar os olhos ao que se aprendeu, como eu fiz nesse caso, é regredir totalmente, mesmo que por um momento. O resultado disso é que comecei a perder o que havia ganho e, como o psicológico é fundamental, só parei de insistir e reconheci o erro quando já era tarde.

Vale a pena jogar 12 mesas ou mais, simultaneamente? Vale muito a pena, e digo que você só poderá enfrentar a variância dos limites baixos através do grind, porém, você não deve se perguntar se é capaz de jogar tantas mesas ao mesmo tempo, isso é apenas questão de costume. Se você jogar 3, 4, ou 5 sessões exclusivamente focando em múltiplas mesas vai se acostumara com o ritmo tranquilamente, fazendo você ver que o que lhe parecia coisa de louco, na verdade é possível.
Deve se perguntar na realidade, se você consegue se manter fiel a sua proposta de jogo, pois, mesmo grindando, são as cartas que dirigirão seu destino, e o grind apenas maximiza suas possibilidades de receber boas mãos (as mãos que você deve considerar em seu range de jogo), para que você possa ter mais chances de jogar sem precisar arriscar limps (arriscar limp já em si em um erro brutal no poker, só se deve jogar, de forma agressiva, mãos em que se tenha confiança, dar limp significa que você não confia e esta torcendo para a sorte ser sua amante no flop te agraciando com um set).

Termino esse post, que ficou mais longo do que eu havia previsto, colocando a matemática crua para que fique ilustrado o ponto a que proponho chegar:

2 mesas (na teoria)
100 mãos/h cada mesa – 200 mãos/h no total
(com range bem escolhido) Media de 5 mãos usadas nessa 1 hora em cada mesa.
Significando ficar ate 15 minutos sem ação, apenas assistindo.

12 mesas ou mais (na teoria)
1200 mãos/h no total
Calculemos as mesmas 5 mãos (por baixo) usadas em cada mesa em 1 hora
Significa NÃO FICAR SEM AÇÃO por mais que 2 ou 3 minutos.

Isso é uma visão matemática baixa até, dependendo do jogador, você pode receber mais ou menos mãos dentro de seu range a cada hora, mas com certeza, mesmo que perca uma mesa, deve abrir imediatamente outra para substituir e, eventualmente, no mesmo momento estar jogando outras mãos em outras mesas, até mesmo mãos premium, podem afastar de sua mente aquela mesa perdida, mesmo que tenha sido por uma bad absurda, protegendo assim seu psicológico. É absolutamente claro que quando jogamos focados em poucas mesas, os acontecimentos nelas ficam vivos em nossas mentes por muito mais tempo do que deve para nosso próprio bem.

Bom, é isso, espero que você, que está começando e acha meio absurdo o “grindar”, observe de mente aberta que a partir do momento que se proponha a jogar poker, principalmente limites baixos, onde a variância não pode ser ignorada, deve decidir que armas usar para se defender.
O “grindar” certamente é uma arma que, se bem usada, pode trazer bons lucros. Trabalhe seu fator psicológico sempre, pois ele é fundamental.

Boas mesas a todos.
Espero que possa ter ajudado de alguma forma com minhas palavras.
Grande abraço a todos.

MarcioCP


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bluff no Poker - Dicas para Iniciantes


O Bluff ( ou blefe ) é uma das coisas que fazem o  Texas Holdem um grande jogo para se jogar. É uma arma de qualquer bom jogador e, portanto, deve ser dominada, se esperas ter algum sucesso no jogo. Muitos jogadores que estão apenas começando, não têm a certeza de quantas vezes devem “fazer bluff”.

Com que frequência devo fazer bluff?
Como muitas coisas na vida, o “bluff” no poker deve ser feito com moderação. Não fazê-lo o suficiente, acarreta não ganhares mais do que o teu quinhão de “pots” (potes: dinheiro envolvido na mão). Fazê-lo demais, implica torná-los menos eficazes e perder “pots”. Então, como é que sabes se o estás fazendo o suficiente? Segue um velho ditado do poker:
“Se nunca fores apanhado num “bluff” pelo oponente, então é porque não o estás fazendo, o suficiente.”
O que isto significa é que a quantidade teórica “perfeita” de “bluff” existe. No entanto, tu nunca podes realmente ter a certeza onde estás em relação a esse valor durante um jogo, por isso deves ironicamente, ser apanhado a fazer “bluff” periodicamente de modo a te certificares de que estás perto o suficiente do seu valor perfeito.
Se os teus “bluffs” continuam recebendo “calls” após “calls” é um sinal óbvio que fizeste “bluffs” em abundância. Se durante um certo período de tempo és constantemente apanhado a fazer “bluff”, é porque não estás jogando lá está muito bem.
Boas condições para se efectuar um Bluff :
Antes de efectuares um “bluff”, verifica se estão reunidas as condições para que o possas fazer. Muitos novos jogadores (especialmente os que assistem a quantidades excessivas de poker na televisão), têm a tendência de fazer “bluff” tentando imitar os profissionais, e assumem erroneamente que estão tendo actos de grande coragem. Na realidade, os profissionais certificam-se de que estão reunidas as condições, antes de efectuar um “bluff”com uma mão fraca.

Aqui estão algumas diretrizes de como fazer um bom “bluff”para jogadores mais novos:

• O número de jogadores no pote
Os Bluffs resultam na maioria das vezes contra um jogador, menos frequentemente contra dois jogadores, e quase não resultam contra mais de 2 jogadores. Como és em princípio um novato, é provavelmente uma boa ideia tentar o “bluff”apenas contra um único jogador, até te tornes mais hábil a ler os teus adversários.

• Deves sempre perguntar-te: o meu adversário mostrou muita força até este ponto da mão?
Se o teu adversário mostrou muita força até este ponto na mão, não é provável que ele esteja também a fazer “bluff”. Salva a tua tentativa de “bluff” para um momento melhor. Se o teu adversário fez “check e / ou “call”, é porque ele está mais propenso a estar numa posição de fraqueza do que se estiver fazendo “raises”.

•Avalia sempre o tamanho do pote em relação ao tamanho da pilha de fichas do teu oponente.
Se o pote tem 5.000 fichas nele, e o teu oponente é responsável por uma quantidade razoável delas, não é provável que ele desista do pote apesar do teu “bluff”. Certifica-te que ele ainda tem uma certa quantidade de fichas. Caso o teu adversário tenha ainda muitas mais fichas, muitos oponentes com mãos medíocres e jogando esse pote considerável, jogam apenas os braços para cima e dizem: “Oh, eu estou morto, estou morto!”, e fazem-te um “call” na mesma, tentando fazer duplo “bluff” para cima de ti, assustando-te e forçando-te a desistir da mão.

•Verifica se os teus “bluffs” contam uma boa história:
Para um “bluff” ser bom, ele deve contar uma história credível. Simplesmente não podes fazer apostas aleatórias e esperar que as pessoas desistam das suas mãos. Apostar constantemente em “flops” pouco promissores, ou um excesso de apostas no pote, são atitudes propensas a ser interpretadas como um “bluff”. Para um “bluff”ser bom, as tuas apostas devem passar a seguinte mensagem :”eu tenho uma mão forte, e eu não me importo que me faças um call”, e não uma mensagem de: “por favor desiste do pote”.

Os “bluffs” mais bem sucedidos são aqueles que mais se parecem com as apostas normais. Deves procurar representar que tens um “top pair” (um par alto) com um kicker bom e apostar uma quantia razoável para aumentares a probabilidade de o teu adversário interpretar a tua acção como uma aposta de valor real, em vez de um “bluff”.
Para que o teu “bluff” resulte, tu deves pensar sobre a mão que estás tentando representar e jogar como se realmente possuísses essa mão o tempo todo. Fingir ter ases no “river” não é provável que vá funcionar se não te comportaste até ao “river” como se os tivesses desde o início. Se desejas representar uma mão forte, tens que fazê-lo desde o princípio. De repente “acordar” com uma mão forte durante o decorrer do jogo é menos susceptível de ser credível.

Considerações Finais
O “bluff” é uma parte essencial do arsenal de qualquer bom jogador. Aprender as condições em que os “bluffs” são geralmente bem sucedidos, bem como contar uma boa história com o teu “bluff” é a chave para ganhares mais do que sua parte justa dos potes disputados. Não fiques frustrado se não consegues acertar à primeira. O “bluff é uma dança que deve ser aperfeiçoada ao longo do tempo. Além disso, lembra-te que ser apanhado PERIODICAMENTE é uma coisa boa, pois recorda-te que estás fazendo “bluff” o suficiente.

Fonte: Poker.co.PT

domingo, 1 de abril de 2012

PokerStove - Calculadora de Odds para Texas Hold'em



Ter consciência do valor da sua mão em relação à mão do seu adversário é essencial se quiser ser um jogador de poker vencedor. Afinal de contas, é a força da sua mão que determina quanto pode apostar, fazer raise ou call, ou se faz mais sentido abandonar a mão. Calcular exactamente quais as probabilidades que a sua mão tem de se aguentar contra a mão do seu adversário nem sempre é uma tarefa fácil, mas felizmente, existem programas que tomam conta disto por si.
PokerStove é provavelmente a melhor calculadora de odds para Texas Holdem. Embora existam vários programas na internet desenhados para o cálculo da equidade da sua mão, a maior parte deles requer que saiba exactamente o que o seu adversário tem nas mãos. Enquanto que muitos jogadores de poker possam já ter estado numa situação em que leram bem a mão do adversário e adivinharam o que tinham na mão, no mundo do poker não existe nenhum jogador que saiba isto sempre, nem mesmo Phil Ivey. A opção mais realista é colocar o seu adversário num range (determinado número de mãos específicas) de mãos e calcular as probabilidades baseada nesse range, que é exactamente o que o PokerStove faz.
Digamos que tem QsQc, e o jogador à sua esquerda faz all-in. Sabe que este jogador é relativamente tight e que só faria esta jogada com JJ+ e AK+, ao introduzir a sua mão e as possíveis mãos do seu adversário no PokerStove, descobrirá que tem 47% de hipóteses de ganhar a mão contra o range do seu adversário, caso decida fazer call. Mesmo que não consiga colocar o seu adversário num range específico de mãos, pode dizer ao software que o seu adversário apenas faria este movimento com o top 5% de todas as mãos, e o PokerStove calcularia de imediato todas as possíveis mãos que entram neste range.
Embora o PokerStove seja um programa muito sofisticado e fácil de utilizar, não recomendamos que o use enquanto joga, uma vez que o seu time bank (banco de tempo que tem para tomar as suas decisões na mesa) esgotar-se-ia quando terminasse de introduzir toda a informação necessária no PokerStove. No entanto, é uma óptima ferramenta para analisar grandes mãos depois de terminada a sua sessão, para assim ficar a saber se tomou a decisão correcta.

Ha, é verdade; será que mencionamos que o PokerStove software é totalmente GRÁTIS?





Artigo publicado no site Poker Harder 









sexta-feira, 30 de março de 2012

Personalidades do Poker - 21º Card

Erik Seidel

Erik Seidel nasceu a 06 de novembro de 1959 em Nova York.
Quando tinha 12 anos, Seidel apareceu no famoso programa de televisão das decadas de 60 e 70, "To Tell the Truth".
Em 1970, ele passou oito anos viajando o circuito de gamão e participou de uma série de torneios.
Seidel envolveu-se no mercado de ações e complementava os seus rendimentos jogando Poker no lendário Mayfair Club ao lado de nomes como Dan Harrington, Howard Lederer, Mickey Appleman e Zolotow Steve.
Quando a bolsa quebrou em 1987, Seidel ficou desempregado e decidiu jogar Poker em tempo integral.
Foi então que tentou a sorte no World Series of Poker (WSOP) de 1988.


No Evento Principal do W.S.O.P. de 1988 Seidel ficou em segundo lugar quando perdeu para Johnny Chan uma mão que acabou imortalizada no filme Rounders.
Na mão final, Erik Seidel tinha menos fichas e era o big blind. Johnny Chan era o small blind, e decidiu entrar na mão apenas pagando. Seidel não quis aumentar, e pediu mesa.
Seidel tinha Q7 na mão e o flop foi Q-10-8.
Acreditando ter a melhor mão, ele pediu mesa, e preparou a “armadilha” para seu adversário.
Mas com J9 na mão, Chan tinha o "Nuts" ou seja a melhor mão possivel.
Chan apostou, e Seidel reaumentou a aposta. Depois de pensar um pouco, Chan apenas pagou.
O turn trouxe um 2 de espadas, e Seidel pediu mesa. Dessa vez, quem preparou a armadilha foi Chan. Ele pediu mesa com a intenção de demonstrar fraqueza.
A estratégia deu certo, e, depois que o dealer virou a última carta, o river, 6 de ouros, Erik Seidel apostou todas as suas fichas. Chan não pensou muito: “Eu conferi minhas cartas, para ter a certeza que eu tinha o nuts, e paguei”.
Veja o vídeo desta mão no YouTube ( Clique aqui para ver ).

Esse segundo lugar, em que Seidel ganhou US$ 280.000, lhe incentivou a conquistar oito braceletes do WSOP, são eles:
1º em 1992 no evento "$2,500 No Limit Hold'em" que lhe rendeu o prêmio de $168,000
2º em 1993 evento "$2,500 Omaha Eight-or-Better", prêmio $94,000
3º em 1994 evento "$5,000 Limit Hold'em", em que levou $210,000
4º em 1998 evento "$5000 Deuce-to-Seven Draw", premiado com $132,700
5º em 2001 evento "$3000 No Limit Hold'em", em que levou para casa $411,300
6º em 2005 evento "$1500 Pot Limit Omaha", prêmio $146.100. Neste mesmo ano ele chegou a quatro mesas finais na WSOP.
7º também em 2005 no evento "$2,000 No Limit Hold'em ganhou $611,795
8º e em 2007 no evento "No Limit Deuce-to-Seven Draw Lowball com rebuys" em que ficou com o prêmio de $538.835.

Isso o colocou em quinto lugar juntamente com Phil Ivey na lista dos maiores Ganhadores do Bracelete WSOP de todos os tempos.

Em 2008, ele ficou em 2º lugar no "Aussie Millions Main Event", com prêmio de $880 mil.
Mais tarde neste mesmo ano, ele ganhou seu primeiro "Campeonato WPT" ( World Poker Tour ) e quase $993 mil na "Foxwoods Poker Classic" e também chegou a duas mesas finais da WSOP.
Em 2011 ele ganhou o evento "Super High Roller" de $250 mil no "Aussie Millions" com prêmio de $2,4 milhões e o "Campeonato National Heads-Up da NBC" com prêmio de $750 mil, o que o levou para a primeira posição na Lista de Prêmios em Dinheiro de Todos os Tempos.


Barry Greenstein, ganhador de 3 braceletes do WSOP, comentou sobre a pulseira Seidel de 1994: "Lembro-me que em 1994, quando venceu o "$5,000 Limit Hold'em no World Series of Poker", eu lhe dei os parabéns pela sua vitória e com a sua humildade típica ele me disse: 'Na verdade, com a quantidade de cartas boas que eu peguei, teria sido constrangedor não ganhar."

Desde que se mudou definitivamente para Las Vegas em 1995, Seidel tem encontrado muito sucesso no poker.
Tem atualmente mais de US$ 14 milhões de ganhos em torneios e era membro da Equipe Full Tilt até que a sala teve suas atividades bloqueadas em 2011.

No seu tempo livre gosta de jogar ténis e ouvir música, recentemente ele postou em seu site oficial uma lista enorme dos seus álbuns favoritos e playlists, e chegou mesmo a afirmar: "eu sou algo obsessivo por música e por assistir a “sitcoms” é o meu trabalho a tempo parcial. Como eu tenho muito pouco interesse em escrever sobre poker, eu pensei que seria mais divertido ter uma seção dedicada à música."

Às vezes se apresenta pelo seu apelido "Sly".
Um outro fato interessante sobre Seidel é explicado por Greenstein: "Erik é muito protetor das suas cartas até na mesa final com câmeras, ele tenta escondê-las. A maioria das pessoas pensam que ele não quer revelar a sua estratégia. Mas talvez o que ele não queira mostrar é o quanto é bom jogando Poker!"

Ele está casado há mais de 20 anos com Ruah e tem duas filhas.

Clique no Card para ver em tamanho natural


quarta-feira, 28 de março de 2012

Por Que Bons Jogadores Vão à Falência ?

Barry Carter


Foi publicado na PokerStrategy um excelente artigo do jornalista Barry Carter ( foto acima ) que fala sobre os problemas que afetam a maioria dos bons jogadores de Poker.
Como ainda somos iniciantes no Poker, temos também que nos precaver para não cair nessas situações e destruir nosso bankroll conquistado com tanto sacrifício.
Resolvi publicar aqui esse artigo para servir de alerta para todos nós que estamos nos aventurando nas mesas de Poker.
Leiam com atenção e aprendam mais essa lição.



Por Que Bons Jogadores Vão à Falência?

Por: Barry Carter para a PokerStrategy



Frequentemente nos referimos aos prêmios ganhos em circuitos de poker como uma "soma de dinheiro para mudar a vida". Realmente, muitos dos prêmios principais dos eventos EPT/WPT/WSOP permitem que você compre uma boa casa, um bom carro e ainda sobra um bom dinheiro para que você não precise trabalhar por bastante tempo.

Mas então por que quase semanalmente somos inundados de histórias de jogadores que ganharam pequenas fortunas nas mesas e quebraram, foram à falência, têm dívidas altas ou enganam outros por causa do dinheiro? Por que o poker é repleto dessas histórias de ascensão e queda?

Se quiséssemos, poderíamos escrever um artigo de cinco páginas listando apenas essas tremendas histórias de ascensão e queda no poker, mas neste mês houve dois casos particulares que se destacaram. Um deles é, naturalmente, as várias notícias da enorme dívida de Erick Lindgren; ele que era visto pela maioria de nós como um dos maiores vencedores no jogo.

Outra história, que é significativamente diferente pelo contraste, é a do primeiro homem que conquistou a Tríplice Coroa, Gavin Griffin, que revelou que teve de voltar ao grind nos limites baixos após perder sua banca.

Griffin começou a escrever em seu blog sobre como ele desceu os limites para reconstruir sua banca, o que deve ter sido uma experiência bastante deprimente para alguém que já foi o número um do mundo do poker e foi o primeiro homem a conquistar um título do EPT, um do WPT e um da WSOP. É preciso ter muita bravura para fazer o que ele fez, mas no poker infelizmente nem todos têm a capacidade mental de retornar aos limites menores depois de ter atingido o topo.


A Febre da Loteria


Eu conversei com o especialista em aspectos mentais do poker e treinador da PokerStrategy.com,  JaredTendler, para ter alguma perspectiva do porquê isso acontece com tanta frequência. Jared também é um psicólogo licenciado e trabalha com jogadores de poker e seu jogo mental. Ele, portanto, tem um conhecimento especial sobre isso:

"Nos EUA, há alguns indícios casuais de que muitos vencedores da loteria foram à falência, ou voltaram ao seu patrimônio líquido original, em menos de cinco anos. Não sei até que ponto estes números são reais, pois nunca houve qualquer estudo formal, mas o fato de que isso acontece em toda a parte já diz alguma coisa."

"Uma das razões pela qual as pessoas que ganharam grandes quantias repentinamente perdem seu dinheiro é a má gestão. Elas gastam com excessos, dão dinheiro, investem mal e não planejam o futuro. Pessoas que fazem milhões de maneira gradual e por sua própria habilidade também adquirem a habilidade de gerenciar o dinheiro ao longo do caminho. É um dom e, a menos que você saiba que é um dom, quando instantaneamente ganhar um prêmio de sete dígitos, você perderá muito dinheiro antes de perceber o quão importante é este dom."

Tandler fala aqui sobre os ganhadores da loteria, mas o mesmo pode ser aplicado aos jogadores de poker. Muitos dos grandes vencedores tiveram sucesso muito cedo, e embora normalmente haja algum talento envolvido, este talento nem sempre reflete a habilidade e a experiência associada com o nível da conquista. Levando isso em conta, o sucesso precoce nos torneios pode ser considerado como semelhante a ganhar na loteria.


Excesso de confiança

"Excesso de confiança é outro problema", continua Jared. "As pessoas são péssimas em olhar para o futuro; se estão vivendo bem, para elas existe um pressuposto de como a vida será daqui para frente. Obviamente isso vai de mãos dadas com uma má gestão do dinheiro."

Mas não são só os jogadores com grandes conquistas precoces que estão expostos à falência, os jogadores que já estão há um bom tempo no circuito também estão propensos a perder tudo:

"Bons jogadores de poker podem desenvolver uma sensação de invencibilidade, como se eles estivessem destinados à dominar. Eles pensam que o lugar conquistado é deles, e somente deles. Como se o sucesso conquistado fosse um valor que não pudesse ser mais tirado."

"A seleção de jogos e a gestão de banca, de repente, não importa mais, pois eles sentem que podem enfrentar e ganhar de qualquer um - independente do dinheiro que poderão ganhar nestes jogos no longo prazo. Eles perdem a noção de todo o trabalho que investiram para chegar onde estão, e da dinâmica natural do jogo. Poker agora se torna um caixa eletrônico e eles só precisam chegar e pegar o dinheiro."

O ponto de vista de Jared sobre a dinâmica natural do jogo é o principal aqui. O poker hoje é um jogo infinitamente mais difícil do que há dois anos, e há dois anos era um jogo infinitamente mais difícil do que dois anos antes. Tendo entrevistado centenas de grandes nomes no poker, uma coisa que notei entre os jogadores que têm sucesso contínuo é que eles mantêm o entusiasmo para estudar sobre o jogo e conversar sobre as mãos o tempo inteiro; diferentemente daqueles jogadores que caíram em desastre.


O Vício

Mas claro que existe outra grande razão pela qual os jogadores de poker de sucesso acabam na pobreza: o vício em jogos de azar, como apostas desportivas e jogos contra a casa. Esta, pelo jeito, foi a ruína de Erick Lindgren e de muitos outros jogadores de sucesso antes dele. Infelizmente isso parece uma parte inevitável quando você considera o tanto de tempo que um jogador de poker é forçado a gastar em cassinos. Jared atribui um contexto para isso:

"Em relação aos jogos como o de dados, estou certo de que os jogadores amam a ação e pensam que a sua banca para o jogo pode ser sustentada pelo poker. Assim como a má seleção de jogos e a má gestão de banca, estes hábitos revelam uma falta de visão de longo prazo e um excesso de confiança em sua habilidade no poker. Sua capacidade de distinguir o dom da variância está tão prejudicada que eles não pensam que podem passar por uma grande variância."

É claro que em alguns casos temos de nos lembrar que uma atitude leviana sobre a gestão de banca e variância foi, muitas vezes, o que fez com que muitos jogadores do topo chegassem onde estão hoje. Muitos dos melhores jogadores no poker subiram nos limites por dar tiros fora da sua banca; por isso, parece lógico que eles não saibam quando colocar o pé no freio quando estão no topo.

Da mesma forma, muitos destes jogadores pegaram empréstimos ou foram bancados no seu caminho até o topo, isto é, eles não são tão bem sucedidos financeiramente como a sua classificação Hendon Mob sugere. Então, talvez eles tenham menos medo de ir à falência do que a maioria de nós, pois se isso acontecer eles sabem que podem obter créditos de algum lugar.


Reerguendo

Vou deixar a palavra final com Jared Tendler, para compartilhar conosco como devemos lidar com o sucesso, e como se adaptar quando estamos prestes a ir à falência:

“Depois que você trabalhou bastante para chegar no topo, ou para chegar um limite maior, tire algum tempo para aproveitar a conquista e então volte ao trabalho. Você deve continuar estudando e melhorando, porque todos os outros estão fazendo isso, e você agora tem um alvo cravado nas suas costas e é caçado pelos adversários.”

“Se você está prestes a ir à falência, não lute contra a realidade de que você está nessa posição. Se você negar que está nessa realidade, você entrará em uma situação bem pior, da mesma forma que se mover rapidamente em areia movediça faz com que você afunde mais rápido. Você não pode voltar no tempo, você pode apenas seguir em frente e tomar os passos certos para se reerguer. Faça isso metodicamente, totalmente concentrado na tarefa, como se sua vida no poker dependesse disso.”


Artigo publicado originalmente na PokerStrategy

sábado, 24 de março de 2012

O que é Running Bad ?


Running bad



Joe Beevers é jogador profissional e escreveu este artigo para o site do Full Tilt Poker.

Onde quer que você vá no poker, ouvirá várias histórias, geralmente sobre bad beats ou pessoas "Running Bad". Mas o que é "Running Bad"?

A maioria das pessoas dizem que estão "Running Bad" quando, por exemplo, os top sets delas estão sendo frequentemente derrotados por straight e flush draws, ou quando o par de Ases deles perdem de um par de Reis quando um Rei cai no flop. As histórias constantemente terminam com um "ele acertou um gutshot", "ele acertou o one-outer", etc.

Mas você sabia que existem dois ou mais tipos de Running Bad? É importante entender as diferenças.

Você pode sofrer Run Bad com as cartas que recebe - e isto é relativo. Receber Reis três vezes em uma hora poderia ser considerado running good. Mas se todas as vezes que isso acontecesse um oponente tivesse recebido Ases, seria running bad, certo?

Ir all-in com um set contra um flush draw e perder é "Running Bad", mas fazer um flush contra um flush melhor é "Running Bad" também. Se você está usando um programa como Hold'Em Manager ou PokerTracker, seu EV vai lhe mostrar que você deveria vencer o primeiro exemplo mas perder o segundo a longo prazo.

É da ocasião. Você pode jogar um poker perfeito, receber boas cartas e ainda perder, por que... Alguém tem sorte.

Você encontra um oponente com uma mão melhor; isto não é "Running Bad", pois é uma situação situacional.
Também existe possivelmente um terceiro "Running Bad": além das hole-cards que você recebe e as cartas no river que você acerta, existem as cartas de seus adversários e as ações deles.

Para fazer o contraste, running good pode ser quando você recebe boas cartas e elas ganham, ou pode ser quando você tem a pior mão mas dá sorte. É importante entender a diferença. Você pode jogar tudo certinho e fazer todas as jogadas de forma correta mas ainda assim perder - isto é "Running Bad".

Você deve ter ouvido jogadores falarem sobre variância. Isto é a medida estatística da distribuição de seus resultados. Running Good ou Running Bad afeta seu bank roll, mas você deve tentar olhar o poker como uma sessão de poker que durará por toda a vida, e não as sessões individualmente. Eu sei que isto pode ser difícil; frequentemente acontece porque você está jogando em um limite maior do que deveria e o resultado pode machucar se for contra você.

Tente pensar nisto como um jogo - nem mais, nem menos - e tente não se envolver emocionalmente. O que importa é que você continue a tomar as decisões certas diariamente, sessão após sessão.

Fonte: http://www.tlpoker.com.br

Joe Beevers