quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A Evolução da 3-Bet Light


3-Bet Light e Sua Evolução


Entenda como funciona o Reraise Blefando




por Diógenes Malaquias


O poker é um jogo extremamente dinâmico. Várias adaptações e evoluções ocorrem a todo momento. Um exemplo real disso é a 3-bet light. Nesse artigo, vou apresentar essa jogada a vocês, falando sobre sua evolução nos cash games online de limites baixos (nl-100 e nl-200) e médios (nl-400 a nl-1k) e mostrando seu surgimento nos micro stakes. Mas, para os fins desta edição, a ideia é apenas apresentá-la – vários tópicos serão detalhados posteriormente em outros artigos.

3-bet light é um reraise pré-flop com uma mão fraca (não confunda com a 3-bet usual, que não é feita com mãos fracas). A intenção é aplicar um blefe em alguém que abre vários raises pré-flop. Geralmente, ela é feita com mãos que podem flopar bem caso o autor da 3-bet tome call. São mãos fracas, como 56, 78, JT, A2s, mas não tão fracas quanto J4, T2, 52, Q6 etc. Desse modo, ele terá, em uma porcentagem razoável das vezes, uma mão com defesa no flop.

A 3-bet light surgiu no poker online por volta do início de 2006. Pouquíssimas pessoas usavam essa estratégia, e ela não era difundida nem comentada. Quando alguém dava alguma 3-bet pré-flop, a gama de mãos dele era, basicamente, AK/QQ/KK/AA. Desse modo, a equidade de fold que as 3-bets conseguiam era enorme.

Em meados de 2007, bons jogadores se deram conta dessa alta fold equity das 3-bets, e começaram a usá-la com muitas cartas fracas. A gama agora não estava mais restrita a AK/QQ+. E passou a ser any Broadway (quaisquer duas cartas maiores do que 9), suited connectors (duas cartas seguidas do mesmo naipe) e pares baixos – estávamos diante da tão falada 3-bet light.

Com sua popularização, as pessoas começaram a procurar defesas contra ela. E conseguiram encontrar. Por exemplo, os jogadores:

1. Criaram a 4-bet light, ou o “re-reraise blefando”, uma jogada de altíssima agressividade e risco.
2. Passaram a dar call em posição seguido de blefe em flops que acertam poucas mãos.
3. Começaram a dar float em potes com reraise, ou seja, dar call sem nada em uma 3-bet no flop para blefar no turn ou no river.
4. Tornaram comum o call em posição com any Broadway ou suited connector e o all-in com qualquer par, flush draw, broca + overcards, backdoor flush draw + overcards etc.

Hoje em dia, com essas adaptações, a 3-bet light fora de posição já não é mais tão lucrativa, principalmente contra adversários fortes. Eu jogo praticamente 60% das mãos quando estou no button e, caso alguém comece a dar 3-bet light, é possível freá-lo com inúmeras estratégias de defesa. Isso, conforme afirmei acima, eu vou abordar em outros artigos.

Em 2009, jogadores de micro stakes, aqueles limites menores do que nl100, começaram a usar a 3-bet light. Porém, até hoje eles cometem inúmeros erros ao tentar aplicar essa estratégia, como não saber o tamanho certo da 3-bet, usá-la exageradamente ou com uma frequência muito baixa, jogar de forma equivocada pós-flop e ficar totalmente perdidos contra um adversário que sabe se defender da 3-bet.

Enquanto isso, a 3-bet light continuava a evoluir nas mesas mais caras do que nl-100. E, para fugir das defesas desenvolvidas contra o reraise blefando usual, começaram a surgir algumas variações, como aplicar a 3-bet light contra um raise do UTG, ou contra o big blind quando estivermos no small blind, e também contra jogadores em middle position ou no cutoff quando estivermos no button – utilizadas na hora certa, essas estratégias podem ser bastante lucrativas.

Enfim, esse é o cenário geral da evolução da 3-bet light. Isso deixa claro que, para ser vencedor no poker, é preciso raça e estudo constantes. Espero que esse artigo tenha estimulado vocês a se prepararem ainda mais! Até a próxima! ♠





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Como Vencer Qualquer Pessoa




COMO VENCER QUALQUER PESSOA EM JOGOS DE BARALHO




por Karen Batista


Os jogos de baralho são bastantes populares pelo mundo todo, e aqui no Brasil as coisas não poderiam ser diferentes. As famosas cartas que todos nós conhecemos foram originadas na China e apenas foram introduzidas na Europa a partir do século XIV. Quando se popularizou nesse continente o padrão das cartas de modificaram, sendo dessa vez recriadas na França.

Como sabemos, existem 4 naipes diferentes de cartas, que nada mais são do que símbolos ou famílias, e diferente do que muitos acreditam esses símbolos não são completamente aleatórios, visto que cada um dos naipes que conhecemos atualmente foram criados pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, e ele representava através dos símbolos escolhidos e desenvolvidos, representar a sociedade francesa daquela época, sendo Paus os camponeses, Ouros a burguesia, Espadas a nobreza, e copas o próprio clero.

O baralho de um modo geral se popularizou por possuir 2 qualidades inegáveis, que são a sua compreensão universal, visto que trabalha com símbolos e também a sua grande versatilidade, afinal, quantos jogos diferentes não podem ser jogados apenas com estas cartas?

Mas bom, vamos ao que importa. Existe mesmo alguma regra ou dica que pode fazer com que alguém sempre ganhe em um jogo de baralho?

Bom, se você é um grande fã dos jogos de cartas temos uma boa notícia para lhe dar, por outro lado precisamos ressaltar que não se trata de uma regra ou truque, e sim de um exercício de percepção e atenção, que caso treinado pode auxiliar quem joga essa modalidade com frequência.

Um estudo publicado recentemente no "Psychonomic Bulletin and Review" teve resultados empolgantes no quesito comportamental. A pesquisa se baseou nas reações que os jogadores de "Black Jack" tinham no decorrer das partidas. Ficou constatado, portanto, que de fato as pessoas tendem a mudar automaticamente o seu olhar de direção (esquerda ou direita) conforme o seu jogo se desenvolve.

O total de 58 participantes foram avaliados, enquanto jogavam Black Jack em versão computadorizada. O mais surpreendente deste resultado é que as movimentações do sentido do olhar dos participantes não eram aleatórias, e quando estavam com uma mão mais alta geralmente mudavam o seu olhar para a direita, já aqueles que não estavam com mãos baixas, olhavam para o lado oposto, para a esquerda.

Os pesquisadores notaram que o olhar não variava devido a posse de uma boa carta em especifico, e sim quando a toda a mão (conjunto) estava de fato interessante, o mesmo ocorria quando o jogo estava muito ruim, ou muito distante de alcançar seus objetivos.

Ou seja, o estudo pode concluir que nós tendemos a olhar para a direita enquanto estamos calculando as nossas possibilidades de jogo e sentimos tensão, ou excitação pois podemos ganhar ou perder muito dinheiro.

O olhar para esquerda também ocorre durante o cálculo mental, porém nesse caso o jogador está desestimulado e desistente, sabendo que não possui muitas chances de ganhar.

Segundo Kevin Holmes, que liderou a pesquisa, . "As diferenças relativamente pequenas na posição do olhar encontradas aqui podem ser indetectável para o observador ingênuo. Talvez após o treinamento, os observadores poderiam contar com padrões de gaze para inferir o valor da mão."

Ou seja, a descoberta não revela uma fórmula mágica de como ganhar todos os jogos deduzindo o que o seu oponente tem em mãos, mas por outro lado, sabemos que nem a melhor "poker face" consegue disfarçar esse movimento involuntário e inconsciente de nosso corpo.

O que nos leva a concluir, assim como o líder dessa pesquisa, que o treinamento e a atenção a esse detalhe pode sim, colaborar e muito na hora da aposta.

E então queridos leitores, vocês conheciam esse exercício? Acreditam que ele realmente pode auxiliar na hora de apostar mais alto ou parar? Conta pra gente aqui em baixo nos comentários.



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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Como o Poker me Ajudou



Como o Poker me Ajudou

 a Parar de Sentir Culpa




por Geronimo Theml


Se liga, teve um período da minha vida que eu jogava muito poker. Chegava a jogar 10 ou 12 horas por dia, competi e fui campeão capixaba. Cheguei até a considerar jogar profissionalmente. No entanto, essa não é a história que eu vou contar hoje. Quero dividir contigo o que eu aprendi sobre culpa e arrependimento enquanto jogava poker.

Não sei se você sabe como jogar, então vou explicar bem rapidinho aqui. Você tem que tomar algumas decisões ao longo de uma rodada (uma das modalidades se chama texas holding). Primeiro você recebe duas cartas, e decide se vai jogar ou não aquela mão. E então são viradas mais 3 cartas na mesa, e precisa tomar outra decisão. Depois se abrem mais uma carta, e outra, e assim por diante. Em cada rodada são necessárias váááárias tomadas de decisão.

Chegando nas mesas finais, sempre tem um monte de gente assistindo, e justamente no final é que começam os comentaristas de mão aberta. Vou dar um exemplo: eu pego minhas duas cartas e decido jogar a mão, mas perco. No final da rodada, algumas pessoas vem e me dizem que eu não deveria ter feito aquilo, pois foi aquele movimento errado fez com que eu perdesse a rodada.

Aquela situação me deu uma lição incrível pra vida: é muito fácil dizer o que você deveria fazer (ou o que outra pessoa deveria fazer) quando as cartas já estão abertas. Às vezes temos que tomar decisões, como escolher um caminho ou outro. Se eu escolho um e esse dá errado mais lá na frente, eu só consigo ver o resultado justamente por estar lá.

Quando as cartas estão abertas, eu to vendo que aquele caminho dá errado, e é muita crueldade comigo mesmo me culpar por uma decisão que tomei lá atrás, quando as cartas não estavam abertas ainda, como num jogo de poker. Não sei quais são as cartas que vão virar, e eu tenho que tomar uma decisão com base naquilo que tenho no momento.

Não sei o que vai acontecer com o jogador depois de mim, se vai aumentar o valor da rodada ou se vai fugir, por exemplo. Eu só posso jogar com as informações que eu tenho, então quando termina uma mão de poker, eu posso me perguntar, apenas, se joguei bem ou mal. Se joguei mal, vou atrás de entender o que posso melhorar naquela mão para quando houver outra oportunidade, parecida com a que vivi, eu consiga evoluir e mudar o jogo.

Se tomo uma decisão que não é tão boa, colocar a culpa no “eu” do passado não adianta, pois as cartas não estavam abertas. Não seja um comentarista de mão aberta da sua própria vida!

Quando você chegar lá na frente, enxergar que errou e alguém vier dizer para você que não deveria ter tomado aquela atitude ou aquele caminho, o que você pensa dentro da sua cabeça? Saiba que essa pessoa está fazendo isso por amor a você, acredite! Por amor a essa pessoa, esquece o que ela disse e só agradece por ela ter se importado contigo.

A vida é como eu vejo, então eu crio o que eu vejo. Se coloque no lugar da pessoa e não massacre ela quando acontecer uma situação assim, é muito melhor falar algo como “Eu sei que é fácil falar agora que as cartas já estão abertas e eu já sei que deu errado, mas queria dizer pra você que se eu fosse você, numa outra oportunidade, teria feito de tal forma… Talvez essa informação seja útil no seu próximo desafio. Queria parabenizar você por ter tido coragem e tomado essa decisão na sua vida”

A forma como eu dou significado a um acontecimento é levada ao longo da vida. Muitas vezes a gente começa a se punir e ser cruel, pensando coisas fortes como “Só tomo decisão errada!!”. Isso só aumenta os sentimentos de culpa e arrependimento.

Lembre-se: o que você vê, você cria. Da próxima vez, pense assim: “Ah, agora é fácil eu ver que deu errado porque as cartas já estão abertas. Não vou nem me punir, nem punir outra pessoa. Vou aprender com o que aconteceu para, na próxima vez, tomar uma decisão melhor”.

Culpa e arrependimento são pedras que a gente vai colocando na nossa bagagem ao longo da jornada. Deixa os dois lá atrás e tire aprendizados, pois eles sim são balões que me levam pra frente. O mesmo acontecimento pode ser visto como uma pedra ou como um balão, só depende de quem vê.





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Conselhos para Nunca Falir


Alec Torelli Dá 4 Conselhos para Nunca Falir

Jogando Poker




Alec Torelli é um jogador profissional de poker oriundo da California e que já ganhou mais de $1,5 milhões em torneios de poker ao vivo e mais de $500,000 em torneios online. No seu currículo estão duas mesas finais nas World Series of Poker e World Poker Tour.

O dinheiro é a ferramenta essencial de qualquer jogador de poker, quando não o tens não podes jogar. Lidar com swings e gerir dinheiro não é tarefa fácil, saber o que fazer com o dinheiro e como o fazer são coisas bem distintas. Vamos focar-nos no "como".

Corria o verão de 2008 e eu estava numa boa run. Ganhei, gastei e vivi como se aquilo fosse durar para sempre, é engraçado como um simples jogo de cartas nos faz sentir invencíveis.

Ainda assim, o poker tem um maneira muito particular de nos fazer sentir humildes. Muitos dólares depois, aprendi de forma dolorosa uma grande lição: ganhar nunca é tão bom, como é mau perder. Ou seja, quanto mais dinheiro tens menos preocupado em jogar deves estar, a tua preocupação deve ser defender esse dinheiro,

Levei quase um ano a recuperar, desci drasticamente de limites (e de ego) e a única coisa que fiz foi "grindar". Foquei me principalmente em técnicas que me permitissem gerir bem o dinheiro e desenvolvi regras para decidir os limites que jogava e quando deveria dar shots (jogar limites mais altos). Isto foi o que aprendi:


1) Estabelecer Objetivos

A ideia de estabelecer objetivos prende-se com o facto de ser necessária motivação para jogarmos o nosso melhor, tornar o jogo divertido e estimulante. A atração dos grandes jogos está no facto de que podemos ganhar muito dinheiro numa só sessão. Contudo, se eu sei que neste mês quero jogar 100 horas e ganhar $10,000 (assumindo que espero ganhar $100/hora), dou por mim com menos vontade de dar shots para tentar chegar lá mais rápido. Quando tenho um objectivo que é motivante, desafiante mas ao mesmo tempo tangível, altero as minha prioridades e a impulsividade diminuiu, o foco é o longo prazo.


2) Mudar o Foco

Se alguém me pergunta como está a correr o poker, a minha resposta é sempre a mesma: estou even. A lógica é a seguinte, o que interessa é o momento e o presente,nada mais. Qualquer downswing que tenha tido ou mão que tenha perdido, são passado.

Como é que interpretas a frase "Estou a ganhar" Estás a falar do dia de hoje? A esta semana? Ano? Posso estar a ganhar ou a perder, a resposta é sempre arbitrária, depende da janela de tempo a que me refiro. O ganhar ou perder apenas existe na tua cabeça, no presente estás sempre even.

Sei que estou a jogar bem quando não me lamento de fazer fold por 10 horas consecutivas, no fim de contas estou sempre even, casa mão jogada é sempre a primeira.

Só mudo este comportamento se achar que os meus adversários jogam diferente por causa dele.


3) Joga com Indiferença

Como é que sei se estou a jogar o meu melhor jogo? Isso acontece quando tens a capacidade de não olhar para o lado se precisares de ir all in em bluff e receberes call. Se tiveres esta capacidade estás à vontade.


4) Testa-te

Sinto que estou a jogar bem quando não estou a "pedir" que uma carta específica saia na próxima street. Esse tipo de "pedido" pode afectar as minhas decisões.

Lembra-te, o trabalho de um profissional é receber informação e tomar as melhores decisões possíveis com a mesma sem se importar com o resultado.

perder um milhão de dólares não é um problema... se tiveres um bilião. Independentemente dos níveis jogados, tens de ter a certeza que tens capacidade para aguentar as swings do jogo.

Que swings podes esperar? Em cash games precisas de 60 buy-ins completos, por exemplo: num jogo $50/$100 com $10,000 de buy-in, precisas de ter $600,000 de banca). Em relação a torneios é preciso ainda mais.

Por último, nunca confundas banca com o dinheiro que tens no banco, faz esta diferenciação e nunca falirás.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Termos Básicos do Poker


Poker: Ações na mesa e termos mais utilizados



Em qualquer jogo de Poker básico, os jogadores apostam estrategicamente, utilizando um número de ações disponíveis. As ações são:


PASSAR (CHECK)

Se não houver aposta na rodada atual, um jogador pode passar a vez. Passar não implica que você está renunciando ao pote, mas apenas passando a vez para o outro jogador. Se todos os jogadores passarem durante uma rodada de apostas, a rodada é considerada completa.

APOSTAR (BET)

Essa ação é feita quando não houver aposta alguma na rodada atual, então um jogador pode apostar. Se um jogador apostar, o jogador adjacente (no sentido horário) tem três opções, desistir em caso de uma mão fraca, igualar o valor da aposta feita ou aumentar o valor da ultima apostada feita. A rodada de aposta só termina depois que todos os jogadores da mesa igualarem seus valores de aposta. Caso ninguém iguale o valor da última aposta feita, ou seja, desistirem, o vencedor do pote é aquele que fez a maior aposta na mesa e que não foi paga por ninguém.

DESISTIR (FOLD)

Ao desistir, você renuncia a qualquer interesse no pote. Um jogador que desiste não pode mais apostar qualquer quantia durante a presente mão do jogo.

PAGAR (CALL)

Se tiver havido uma aposta na rodada atual, um jogador poderá fazer o “CALL”. Ao pagar, o jogador igualará a aposta atual do(s) seu(s) adversário(s).

AUMENTAR (RAISE)

Se tiver havido uma aposta na rodada atual, um jogador poderá aumentar. Ao aumentar, o jogador de Poker deverá não só igualar a aposta atual, mas acrescentar um tanto mais. Todos os jogadores subseqüentes se quiserem continuar na rodada de jogo, deverão pagar o valor ou aumentar ainda mais (“re-raise”).

Quando a última aposta ou aumento na rodada final for igualada, ocorre a abertura de cartas (“showdown”). É nesta altura que se determina o vencedor do pote, uma vez que os jogadores mostram as suas mãos, um a um.

Conhecer os termos utilizados no poker vai ajudá-lo a jogar com mais facilidade.