domingo, 15 de setembro de 2019

Ranges de Mãos


Pensar em Ranges de Mãos pode melhorar seu Jogo de Poker




Por Arved Klöhn / Daniel Fidalgo

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Qual é a sua opinião sobre seu adversário? Como deve atuar quando está numa mão? Fique a conhecer as vantagens de colocar o seu adversário num range de mãos.

Neste artigo, Arved Klöhn vai ensinar o que é um “range” no poker e como eles o podem ajudar no seu jogo e melhorar seus resultados nas mesas.

Você já alguma vez viu o filme “Rouders”? De certeza que sim. É um grande filme. Se você nunca o viu, deveria de o fazer.

Existe uma cena impressionante em particular neste filme, quando o personagem principal Michael (interpretado por Matt Damon) interrompe o jogo caseiro do seu professor para lhe entregar alguns trabalhos.

Segundos depois de ver as expressões faciais de cada jogador na mesa ele diz o que cada um tem nas mãos.

Bem, Michael é um prodígio no poker e apenas KGB o pode parar no seu caminho para a fama.

Isso é o que os prodígios do poker e jogadores profissionais de poker fazem certo? Lêem as mentes e sabem exatamente as mãos de seus adversários. Esse é o seu dom?

Mas só que não, não é. Ler as mentes não funciona, somente em filmes.

O Rouders é um filme excelente, mas é ficção. E a forma como o protagonista lê as mãos também é ficção.

Nenhum jogador de poker é assim tão dotado ao ponto de saber as cartas exactas do seu adversário. E tentar fazê-lo é normalmente fútil e prejudicial para o seu jogo. Vamos analisar uma simples mão e ficar a perceber porque a leitura da mente não funciona:

Como não ler as mãos

Estamos a jogar $1/$2 Texas Hold’em e temos na mão par de dez (ThTs) numa posição intermediária. Depois de alguns folds, abrimos o pote com um raise para $6. Apenas o jogador do botão dá call. Estão agora $15 no pote e nós vamos ver o flop:




Somos os primeiros a falar e apostamos $12 com o nosso par de mão. O nosso adversário sobe para $40 e nós temos um stack de $182 para trás. O que fazemos agora?

Bem, nós de certeza que estamos numa posição complicada. Temos uma boa mão, mas não assim tão boa e existem muitas cartas no turn que não vamos querer ver (qualquer carta de paus, qualquer carta igual ou superior a valete).

Também não queremos ser blefados e não queremos perder o nosso stack caso o jogador tenha melhor mão que nós. Então vamos tentar colocar o nosso adversário numa mão. Aqui ficam algumas formas de como pode funcionar:
- Nosso adversário é muito conservador, então ele tem uma trinca e nós estamos batidos
- Nosso adversário é muito agressivo e certamente apenas tem um flush draw
- Nosso adversário é um jogador fraco e apenas tem o o maior par da mesa
- Nosso adversário joga sem medo e decerto que tem uma mão com um ás e apenas nos quer assustar da mão

Qualquer uma destas hipóteses parece boa se você conhecer muito bem seu adversário. Mas na realidade são terríveis mesmo que você conheça seu adversário perfeitamente.

Coloque o adversário em todas mãos possíveis de uma vez

Então o que estava mal com o raciocínio anterior? O problema é que estávamos a tentar colocar nosso adversário numa mão em particular.

Coloque-o em todas as mãos possíveis

Sim, no final de contas ele apenas está a jogar uma mão. Mas neste momento não sabemos que mão ele tem.

A menos que ele nos mostre suas cartas, nós não temos a certeza que cartas são. Então porque agimos como se tivéssemos um dom mágico de ler a sua mão? Simplesmente não conseguimos nem deveríamos tentar fazer isso!

Quase nunca temos informação suficiente para saber a mão exata de nosso adversário e existe uma grande possibilidade de estarmos muito enganados com a nossa leitura.

Nós iremos parecer insensatos (e perder muito dinheiro) se pensarmos que o nosso adversário tem um flush draw e ele nos tiver dominando com uma trinca.

Então o que fazemos em vez de colocarmos o nosso adversário numa mão específica? É bastante simples, nós colocamos ele em todas as mãos possíveis.

Pode parecer um pouco descuidado mas na realidade é muito mais sensato e confiável do que o colocar numa só mão.
Provavelmente não tem um par alto

Vamos aplicar alguma lógica

Vamos voltar ao exemplo anterior e aplicar alguma lógica para sabermos o que o nosso adversário tem nas mãos. Antes de sua ação na mesa, não sabemos nada sobre sua mão, então qualquer possibilidade é real.

Existem 1,326 mãos iniciais no Texas Hold’em. Mas uma vez que nós temos duas cartas (ThTs) ficamos apenas com 1,225 combinações possíveis para o nosso adversário. Antes de sua primeira ação na mesa ele pode ter qualquer uma destas mãos.

São muitas combinações a ter em conta, mas felizmente podemos retirar muitas delas desse leque (quase todas) depois da sua primeira ação.

Qual foi a sua primeira ação? Então, ele deu call ao nosso raise pre-flop. Agora vamos pensar que mãos ele pode ter para fazer isso.

Para manter as coisas simples, vamos assumir que ele é um jogador direto e que não esconde as melhores mãos em pré-flop. Neste caso podemos eliminar uma grande quantidade de mãos iniciais.

Este tipo de jogador não iria dar call a um raise pré-flop com 7-2 ou T-3. Depois da sua ação o nosso oponente terá na maioria das vezes uma das seguintes mãos: um par de mão, duas cartas altas ou algumas cartas médias conetadas do mesmo naipe.

Ele não deve ter um par de mão alto, porque nesse caso ele iria fazer re-raise pré-flop.

Vamos analisar todas as possíveis mãos

Já sabemos algumas coisas sobre a mão do nosso adversário. A sua ação no flop (em que apareceu 8c7c2d) diz-nos ainda muito mais.

Ele subiu a nossa aposta e ameaçou jogar para o stack. Vamos ver com que mãos ele poderia ter para nos subir a aposta:
- Uma trinca (88,77 ou 22)
- Dois pares (87 do mesmo naipe – todas as outras variantes de dois pares ele teria desistido pré-flop)
- Qualquer par alto (99, TT, JJ – Ele subiria qualquer par acima de QQ em pré-flop)
- Um projeto de flush
- Um projeto de sequência (T9 ou 65 suited)
- Um bluff

Com outras mãos ele teria dado call ou apostado (por exemplo com 98 para par alto) ou simplesmente desistido (com todas as mãos desemparelhadas com flush draw).

Dependendo do que conhecemos do adversário nós poderemos estreitar estes leques ainda mais. Para um jogador direto, podemos quase eliminar a possibilidade de bluff nesta situação – ele teria situações melhores para fazer isso.

Agora em vez de tentarmos decidir qual destas mãos o nosso adversário tem nesta situação, e jogar de acordo com essa leitura, nós vamos colocá-lo em todas essas possibilidades de uma só vez e tentar jogar de uma forma que funcione bem contra a maioria dessas mãos iniciais.

Pensa em ranges de mãos

O que fizemos até agora foi estabelecer um range de mãos para o nosso adversário. Agora só temos que descobrir como jogar contra esse range.

Vamos contar e fazer alguns cálculos de equidade para vermos como o nosso par de 10s joga contra cada uma das mãos possíveis do range do nosso adversário (lembre-se que nós temos um par de 10s num flop com 8c7c2d):





Esta tabela mostra o range completo de mãos para o nosso adversário nesta situação específica e a nossa equidade contra cada possibilidade.

Podemos ver de uma forma direta que estamos muito atrás contra trincas, dois pares e valetes. Que estamos quase em coin flip contra flush draws e projetos de sequência. Apenas somos favoritos contra par de noves.

Ao sabermos isto, é bastante simples saber qual a decisão a tomar: simplesmente fazer fold. Não precisamos de saber o que o nosso adversário tem nas mãos.

Basta saber que existem mãos suficientes neste range que nos ganham e poucas mãos em que estamos à frente. Até contra os projetos (que são semi-blufs no flop) quase que não estamos à frente.
Será “pensar em ranges” assim tão importante?

Esta probabilidade é de 42%. Não somos favoritos para ganhar esta mão e podemos desistir sem qualquer problema.

Porque é importante pensar em ranges

Demoramos algum tempo e fizemos algum esforço para desenvolvermos um range de mãos para o nosso adversário neste exemplo.

Será que isto de “pensar em ranges” é assim tão importante e você tem que pensar assim tanto em ranges para se tornar um bom jogador de poker?

A resposta é simples: Sim, é muito importante. Você deve começar a trabalhar suas capacidades de ler ranges o mais rápido possível e praticar muito. Isto vai melhorar seu jogo drasticamente.

Vamos voltar atrás ao nosso exemplo e tentar adivinhar a mão do nosso adversário.

Se o colocarmos numa mão fraca (como um par pequeno) queremos que coloque todas as suas fichas na mesa. Mas se colocarmos nosso adversário numa grande mão (como uma trinca) não queremos colocar dinheiro no pote.

Se sua leitura estiver enganada, nossa jogada será também desastrosamente errada. Um pequeno erro na nossa leitura pode levar-nos a consequências infelizes.

Mas se pensarmos em termos de ranges isto não se aplica. Mesmo que você não esteja 100% correto ao colocar o seu adversário num range, não deve estar muito enganado. Esquecer-se de algumas mãos ou colocar mãos a mais no range não altera assim tanto a probabilidade geral de ganhar a mão.

Pode subir ou descer uns 5% mas de uma forma geral a nossa jogada não irá se alterar mesmo que existam alguns erros na concepção do range. Pequenos erros não vão levar a consequências graves.

Quando você pensa em ranges, basicamente você está tentado saber como jogar contra a média de seu adversário. Quantas mais opções de ganhar você tiver, mais inclinado deve ficar para colocar seu dinheiro em jogo. Quanto menos opções tiver de vencer, mais inclinado deve ficar para desistir de sua mão.

É muito simples. E é por isso que todos os profissionais de poker pensam em ranges. Você também o deveria fazer!

Não é complicado tomar essas decisões no momento?

É bastante óbvio que você não pode pensar sempre em toda esta análise durante uma mão.

Mas os bons jogadores de poker são bastante bons neste tipo de raciocínio, a saberem o range do adversário em segundos e a realizar cálculos de equidade contra estes ranges.

Praticar isto fora das mesas é uma boa forma de dominar os ranges. Isto permite que você faça cálculos rápidos e a analise o range de forma bastante acertada, o que normalmente é o suficiente para tomar uma boa decisão quando joga.
Seja um profissional

Aqui ficam alguns conselhos de como melhorar sua capacidade de leitura de ranges de mãos:
- Não é necessário saber detalhadamente todas as mãos possíveis. Normalmente basta saber contra quantas mãos somos realmente favoritos, contra quantas estaremos a perder e contra quantas estaríamos num coin flip.
- Não é necessário saber as probabilidades exatas, ter uma ideia geral é suficiente
- Habitualmente os ranges são muito sólidos. Assim mesmo que você cometa alguns erros quando está estimando-os, não irá modificar o resultado final em demasia.
- Os ranges podem ser usados em praticamente todas as decisões durante uma mão. Por exemplo, nos bluffs. Se você estimar que 60% do range do seu adversário não poderá dar call a uma aposta de tamanho razoável (talvez porque tem muitos draws falhados em sua mão) um bluff é muito proveitoso.
- Os ranges requerem muito esforço. Os jogadores profissionais despendem muito tempo treinando suas habilidades em estimar ranges e percentagens para que possam usar este conhecimento e técnica nas mesas

Seja um profissional

A capacidade de frequentemente e rapidamente pensar em ranges é uma das imagens de marca de um bom jogador de poker – não é a capacidade de ler mentes como aparece nos filmes.

Normalmente quando você vê um jogador fazer calls incríveis ou folds na TV, e os apresentadores atribuem essas ações a fantásticas leituras de mão, você está a testemunhar um jogador profissional exercendo grande capacidade de leituras de ranges ou a um jogador ignorante a ter sorte depois de uma má decisão.

Podem parecer o mesmo, mas o jogador profissional vai estar certo muito mais vezes que o jogador ignorante.

Seja esse jogador profissional e pense em ranges de mãos!



sábado, 14 de setembro de 2019

Relação de Dinheiro Grátis - Ativos em Setembro / 2019






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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Início de Torneios


9 Dicas para o Início de Torneios




por Diógenes Malaquias


Seguindo o modelo do último artigo, vou apresentar uma série de dicas para jogarmos a fase inicial de um Multi-Table Tournament (MTT).


1 – Posição é tudo
Identifique os jogadores mais recreativos, os fishes e looses da mesa. Sempre tente jogar contra eles em posição e com um range forte. Enfrentar alguém fraco em posição é, talvez, a situação mais lucrativa do poker.


2 – Analise seu jogo
Procure pesquisar sua taxa de queda nas fases iniciais de torneios, com ajuda do Official Poker Rankings (OPR), por exemplo, e compare com a de outros profissionais para, se necessário, ajustar e ter uma estratégia melhor definida.


3 – Estude o jogo deep stack
Treine seu jogo deep stack. Pratique cash games para ter um pós-flop bem sólido, já que em situações como essa, você quase sempre terá até o river pra extrair valor de uma mão. Atualmente, há bons jogadores de cash game que vêm se dedicando aos torneios e que possuem uma lucratividade muito grande no início dos mesmos.


4 – Evite blefes
Depois do flop, blefe menos e dê preferência por mãos que tenham valor, principalmente nos micro stakes. Torneios mais baratos são repletos de jogadores recreativos que gostam de dar calls com mãos marginais.


5 – All-in, não!
Evite ir all-in pré-flop com mãos marginais ou entrar em algum tipo de level (metagame) logo no início.
Lembre-se que o ITM geralmente paga 10% do field do torneio e que 1/3 da premiação vai para os três primeiros colocados. Então, valorize a sua tournament life e evite jogadas de variância alta, pois, normalmente, dobrar o seu stack não lhe dá tanta vantagem sobre a mesa.


6 – Abra o seu leque
Em posição, jogue os seus suited conectors e pares de mão, mesmo em potes com mais de um adversário. Assim, criamos um cenário lucrativo. Não abuse dando calls marginais, mas também não espere só por mãos prêmio.


7 – Evite perder fichas
O ICM (Independent Chip Model) nos diz que ao perder fichas o seu $EV (valor esperado monetário) cai consideravelmente, mas que aumentando o seu stack, a mudança no $EV é bem menos acentuada. Ou seja, no inicio de torneios, fichas perdidas trazem danos maiores do que os benefícios das fichas ganhas. Então, jogue mais tight.

E não se apegue muito às mãos. Saiba dar fold . Não vale a pena se matar por potes pequenos no início. Não temos que decidir o torneio neste momento. A prioridade é ficar vivo e ganhar potes em situações favoráveis.


8 – Steal, também não!
Roubar os blinds (steal) não tem tanto sentido, pois ainda não teremos os antes. Portanto, a relação entre o custo de tentar o steal e o benefício do ganho de fichas, quando ele for bem sucedido, não é atrativa.


9 – Aproveite oportunidades para isolar os limpers
Última dica: em posição, isolar os jogadores que entram de limp pode ser uma boa maneira de aumentar o seu stack; de forma lenta, é verdade, mas constante. Lembre-se que esses jogadores estão vulneráveis devido ao amplo range de mãos que eles apenas pagam pré-flop.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Lições de Vida e Poker


LIÇÕES DE VIDA PARA APRENDERMOS COM O POKER




Muito leigos ainda encaram o poker como um jogo de azar, mas para os amantes dessa modalidade, ele é muito mais do que um jogo de cartas. Afinal, é preciso assumir riscos, tomar decisões sob pressão, lidar com as derrotas e aprender a controlar o orçamento. Pode-se dizer que o poker nos dá lições de vida.

Diversas situações vividas nas mesas de poker, são semelhantes às vivenciadas no dia a dia e os jogadores de sucesso são aqueles que conseguem lidar com todas as variáveis, alcançando seus objetivos em outras áreas também.

Por isso, neste post, listamos 4 lições do poker que devem ser levadas para fora do feltro. Confira!


1. SER UM BOM OBSERVADOR

Até mesmo os iniciantes no poker sabem que não se deve jogar apenas com as cartas. É preciso descobrir de que mão o oponente dispõe, para tentar antecipar suas possíveis ações. Isso requer muita observação e perspicácia, pois decifrar bem os tells, entendendo a linguagem corporal, pode definir um torneio.

É preciso ficar atento os trejeitos dos oponentes, de acordo com suas jogadas. Na vida, quando se está diante de uma negociação, buscando alcançar um objetivo também é necessário observar o interlocutor para compreender o seu estado de espírito.

2. ASSUMIR RISCOS

Se você já estudou o básico do poker, sabe bem que a passividade é uma estratégia que não leva ao sucesso. Na maioria das vezes você receberá mãos ruins e mesmo quando tiver boas cartas pré-flop é muito mais provável que não acerte o flop.

Se você não estiver disposto a assumir riscos, vai ficar apenas despejando fichas na mesa para os oponentes. No tópico anterior, falamos sobre observação, mas de nada adianta ser um bom observador, se você não estiver disposto a sair de sua zona de conforto e arriscar.

Na vida também é assim, de nada adianta alguém ter uma grande ideia, com grande potencial, se não estiver disposto a apostar suas fichas nisso e fazer acontecer. Boas ideias, sozinhas, não constroem nada. Atitudes sim!

3. PENSAR A LONGO PRAZO

É possível passar horas jogando poker em bom nível, devido ao período de boas recompensas para o cérebro, que são ganhar mãos e avançar no torneio. Porém, basta uma bad beat para que tudo caia por terra e se passe a tomar decisões equivocadas, que podem custar todo o bankroll.

É necessário trabalhar o controle emocional e passar a enxergar o poker como uma modalidade de recompensas a longo prazo, mantendo um jogo de qualidade e avaliando as mãos após os torneios, analisando os erros e criando um processo de melhoria contínua. Os erros devem ser encarados como uma lição para as próximas mesas.

Isso também vale para a vida, pois muitas vezes algo bom é deixado de lado quando se enfrenta o primeiro obstáculo, apenas por não se pensar a longo prazo e por não usar os erros como uma fonte de aprendizado.

4. TER UMA BOA GESTÃO FINANCEIRA

Assim como na vida, no poker, quando se gasta mais do que se ganha, o saldo fica negativo. Por isso, qualquer investimento deve ser muito bem planejado. Você não deve investir todo o seu dinheiro em apenas um negócio, afinal, se ele quebrar, você vai à falência. A palavra-chave nesse cenário é diversificação.

O mesmo vale para a gestão de banca no poker: se você colocar toda o seu capital em um único torneio, as chances de quebrar vão ser maiores. Se diversificar, com uma projeção de retorno alta nos investimento, ou seja, dividindo o bankroll em vários torneios de poker menores, as chances de lucro vão aumentar.

Viu como você pode extrair lições de vida no poker? Essa modalidade apresenta várias nuances e é um jogo que vai muito além das cartas e fichas, feito das mesmas estratégias usadas no dia a dia.



sábado, 7 de setembro de 2019

Continuation Bet

A Arte da Continuation Bet


Um tema familiar a jogadores de todos os níveis




por Fábio Eiji


No artigo de hoje, o assunto será continuation bet (c-bet). Este é mais um tema bem familiar a jogadores de todos os níveis e uma das primeiras ferramentas que (mais ou menos) aprendemos a utilizar. Trata-se da aposta que fazemos no flop quando somos o agressor pré-flop, ou seja, continuamos a agressão. A lógica dessa jogada parte do pressuposto de que, para defender-se de uma aposta, o vilão tem que acertar o flop, mas isso só acontecerá perto de 35% das vezes. Bem, isso faz bastante sentido se falarmos de um poker jogado em 2008 ou 2009. Hoje, já não é bem assim que a coisa funciona.

De maneira geral, os jogadores, mesmo os recreativos, aprenderam a jogar e praticamente não cometem erros quando falamos do jogo pré-flop. E eles sabem que, quando decidem pelo call, enfrentarão uma c-bet muitas vezes. Ou seja, já estão acostumados e, muitas vezes, preparados para enfrentar e reagir a essa jogada.

É comum encontrar por aí jogadores, mesmo regulares vencedores, que ainda não se adaptaram a essa nova realidade e cometem o erro de usar a c-bet demais, ou seja, fazem continuation bets de maneira automática, sem fazer as devidas considerações sobre.

Antes de fazer a c-bet, é preciso pensar em alguns elementos importantes:

– Range que representamos.

– Range que enfrentamos (perfil do oponente — loose ou tight; passivo ou agressivo).

– Textura do bordo.

– SPR (tema do último artigo).

– Valor ou blefe.

Complementando os elementos acima, há a c-bet que não se encaixa nem valor nem em blefe, que seria a aposta para “recolher o dead doney”. Por exemplo, fazer uma c-bet com A-K em um bordo 7-7-2 rainbow para ganhar o pote ali, já que mãos não dominadas (live cards) ainda têm seis outs para melhorar e dificilmente reagirão agressivamente nesse tipo de flop.


C-BET POR VALOR E POR BLEFE

Se estamos apostando por valor, devemos considerar as seguintes questões:

1. Definir o range do adversário e fazer a seguinte pergunta: esse range acerta o bordo?

2. É possível extrair três streets de valor (fazer o oponente pagar flop, turn e river com mãos piores)?

3. Quais os tipos de turn vão me fazer desacelerar?

Se a reposta para alguma das duas primeiras perguntas for “não”, então, geralmente, o check será melhor do que a c-bet.

Já se estamos fazendo a c-bet por blefe, devemos considerar o seguinte:

– Qual o range que estou enfrentando? Esse range acerta esse bordo? De que forma?

– Em quais turns continuarei a blefar? Quais mãos pagariam flop e dariam fold no turn?

– Quais rivers continuarei a blefar? Quais mãos pagariam flop e turn, mas dariam fold no river?

Ou seja, é necessário que, antes de fazer a c-bet, haja um plano em mente para as próximas streets. Já que a ideia é continuar apostando em muitos turns e rivers que ajudarão a representar mãos fortes, é importante que haja equidade para melhorar a efetividade da jogada: gutshots (brocas), backdoors para straight e flushes (chances de ficar para o draw no turn), e overcards costumam ser o suficiente.

Exemplo:

Temos 18 bbs e abrimos miniraise do HJ com A♥8♥. O BB, com 30 bbs, paga. O pote tem 5,5 bbs. O flop é A♣ 6♥ 2♦, e o oponente pede mesa.

Análise

Muitos jogadores fariam a c-bet de maneira automática aqui, afinal, “temos top pair”! Mas sugiro pensar um pouco mais a respeito.

A nossa aposta aqui seria por valor ou por blefe?

“Por valor, claro”, diria um leitor mais desatento. Porém, devemos começar pensando no range de call pré-flop do vilão. Podemos excluir AJ+ e 88+, pois quase todos os oponentes iriam de 3-bet pré-flop com essas mãos. Ao mesmo tempo, temos blockers para os Ases, o que reduz significativamente a frequência de A-X que enfrentamos. Mesmo assim, ainda é mais comum um oponente fraco dar call com broadways (combinações entre 10, J, Q, K e A) e pares do que com Ases nesse cenário.

Agora, vamos pensar nas mãos que representamos. Geralmente, o Ás acerta em cheio o range de quem agride pré-flop. Afinal, há muitas combinações de Ases no range de quem abre raise. Então, esse seria um bordo que acerta muito mais o range que representamos (como agressores) do que o range do vilão (como passivo).

Se optarmos por apostar aqui, há poucas mãos piores do que a nossa que dariam call. Isso porque, como disse anteriormente, não há muitos Ases no range do vilão, além do fato do Ás acertar mais o nosso range que o dele.

Dito isso, podemos concluir que a c-bet aqui não funciona como aposta por valor.

Se apostarmos por blefe, temos que fazer com que mãos melhores deem fold, o que também não parece funcionar bem, já que as poucas combinações de Ases melhores que 8 não dariam fold, muito menos as trincas. Ou seja, apenas as mãos que já estamos ganhando desistiriam. Então, também não serve como uma aposta por blefe.

Resumindo, a aposta aqui não tem sentido, por isso, devemos optar pelo check. Dessa forma, conseguimos manter um range fraco na mão e induzir o vilão a cometer erros — blefar, por exemplo — nas próximas streets.

Espero que este artigo ajude o leitor a repensar as suas continuation bets. Não devemos fazê-las de maneira automática, como um robô. É preciso ter um plano bem elaborado para o restante da mão. E lembre-se: não é vergonhoso desistir de um pote quando avaliar que o bordo ajuda muito mais o oponente do que você, mesmo sendo o agressor. Se jogar corretamente, dificilmente será explorado por isso.



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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Dicas para Ganhar Dinheiro


3 DICAS PARA GANHAR DINHEIRO COM AS BROCAS




por Dan B. - Traduzido por Luigi Soncin


Se você nunca esteve certo do que fazer com uma broca, você encontrou o artigo correto.

Hoje você aprenderá 3 dicas que ajudarão você a decidir quando apostar e quando dar mesa para poder ganhar mais dinheiro ao ter esse tipo de draw. Mas primeiro…


O QUE É A BROCA OU GUTSHOT STRAIGHT DRAW?

A broca é uma mão que precisa de uma carta específica para chegar a sequência. Por exemplo, T ♠ 9 ♠ é um gutshot straight draw num flop Q ♦ 8 ♣ 2 ♥ .

Se você tiver uma broca no flop, você tem 8,5% de chance de fazer uma sequência no turn e 16,5% de chance de fazer uma sequência no river (a famosa regra do 2 e do 4).

3 DICAS PARA GANHAR DINHEIRO COM AS BROCAS

1. QUANDO AMBAS AS SUAS CARTAS ESTIVEREM ABAIXO DA CARTA DO MEIO NO FLOP, CHEQUE.

Exemplo: 6♦ 5♦ no Q♥ 9♠ 8♥.

Este tipo de gutshot é muito fraco e deve ser jogado como tal. Não é apenas a carta que você precisa que venha (como todos os gutshots), essa mesma carta pode dar ao seu oponente uma sequência mais alta, o que pode levar você a perder muitas fichas, isto é, brocas com under cards tem uma certa dose de implied odds reversa.

Se você tiver outro draw para acompanhar com seu gutshot fraco, no entanto, pode ser forte o suficiente para jogar de forma agressiva seu semi-bluff. Ter um flush draw também é ideal, mas mesmo um backdoor flush draw muitas vezes já é o suficiente para jogar de forma agressiva.

Ter um backdoor flush draw significa que você vai virar um combo draw ou melhor, cerca de 26% dos turn. Você terá 9 outs (18%) de virar um flush draw – que muitas vezes permitirá que você continue blefando – e 4 outs para virar um straight (8.5%). Como você pode ver, essas chances são muito melhores do que segurar um gutshot fraco sem potencial de flush.

Exemplo de análise

Você aumenta no cutoff com 6 ♦ 5 ♦ , o botão da call e no flop vem Q ♥ 9 ♠ 8 ♥ . Todos os seus outs estão contaminados, porque straights mais altos já são possíveis, e o 7 ♥ é especialmente complicado, já que também completa o flush draw. Sua mão é fraca demais para apostar, assim você da check com ela. Não perca a esperança ainda – você pode ser capaz de blefar no turn ou no river se o seu oponente mostrar fraqueza.

Agora, imagine você aumenta no cutoff e é o button da call novamente, mas desta vez você segura T ♠ 9 ♠ no flop A ♠ Q ♦ 8 ♣. Sua mão precisa exatamente de um valete para fazer uma sequência, mas você também tem a ajuda do seu backdoor flush draw que tem 9 outs para se tornar um flush draw. Esse gutshot é uma c-bet fácil e você deve continuar apostando na maioria dos turns.

2. VOCÊ NEM SEMPRE PRECISA CONTINUAR APOSTANDO NO TURN DEPOIS DE APOSTAR NO FLOP.

Exemplo: Q♦ T♠ on K♥ 9♠ 8♥, turn 5♠.

Depois de apostar no flop com uma broca, você só deve continuar algumas vezes apostando no turn. Dar mesa com alguns dos blefes com brocas ajudará a evitar o excesso de bleves e torná-lo mais imprevisível nos olhos do seu oponente. Geralmente é prudente jogar de bet e check com brocas que tem “live cards” sobre alguma carta da mês (T9 em 67A, por exemplo).

Você ainda pode ter a chance de acertar seu straight no river, e se você fizer isso, seu oponente normalmente não o esperará. Essa natureza disfarçada da sua sequência fará com que seu oponente fique mais propenso a pagar você. Além disso, mesmo que você não acerte, você pode ter a chance de pegar o pote no river com um blefe.

Exemplo de análise

Você aumenta no botão com Q ♦ T ♠ e um jogador chamado Pedro paga no big blind. O flop vem com K ♥ 9 ♠ 8 ♥ , Pedro da check, você aposta, Pedro paga, e no turn vem 5 ♠.

Você não precisa continuar blefando aqui. Quando você tem muito mais draws melhores no seu range (duas pontas e flush-draw), você não deve blefar com todos as brocas a menos que você ache que Pedro irá foldar muitas vezes.

Tática avançada: você pode randomizar seu jogo apostando quando tiver um brocas com blockers do, como um copas neste caso. (Ter um copas faz com que seja um pouco mais provável que Pedro de fold aqui).

NOTA DO TRADUTOR
Particularmente vejo essa situação de forma um pouco ambígua. Isto é, por um lado você pode aumentar a fold equity quando tem um blocker de copas, porém particularmente prefiro atacar as brocas sem blockers do flush, com um size extremamente alto (e um range polarizado – isto é, com mãos de valor e de blefes com pouca equidade) e assim, além de atacar o grupo 2 (range médio) ataco draws melhores que os meus. Essa lógica do pós flop parece complexa, porém quando se aumenta a resolução da interação entre os ranges, tudo fica mais claro. Se você tem interesse em entender a interação dos ranges pós flop de forma clara, dê uma olhada no www.mentaleasy.com.br/cep nele eu explico a interação dos ranges em modelos 3D, usando lego).

3. QUANDO ESTIVER FORA DE POSIÇÃO EM POTES MULTIWAY, JOGUE DE FORMA MUITO PASSIVA E PREPARE-SE PARA DESISTIR.

Exemplo: T♠ 8♠ on Q♦ 9♦ 5♥ com 3 jogadores na mão.

Estar em um pote multiway desvaloriza todas as suas mãos. Isso inclui as brocas, que vão de uma mão de blefe muito marginal a uma mão que você deve dar check e desistir.

Você pode, no entanto, considerar o check-call se um desses fatores estiver em jogo:
Sua broca tem uma ou duas overcards na mesa.
Você tem um backdoor flush draw.
3 jogadores estão na mão (ao contrário de 4, 5 ou 6 jogadores).
Seu gutshot tem potencial para o nuts.

Lembre-se que a maior parte do valor de uma broca vem das vezes que você força o seu oponente a desistir, isto é, você vai gerar EV pela fold equity e não pela equity, o que significa que eles são muito mais fortes em potes heads-up do que em potes multiway.

Exemplo de análise

Você aumenta da posição intermediária com T ♠ 8 ♠ e recebe call pelo botão e pelo big blind call. O flop vem com Q ♦ 9 ♦ 5 ♥

Você deve apenas dar check e desistir neste ponto. O botão tem um range muito mais forte do que você e o range do big blind contém muitas mãos que podem continuar. Se você apostar e enfrentar um call, você só ficará feliz em ver um dos 3 Valetes que não são um diamante no turn. Enquanto isso, há um grande número de turns aparecerão. Então, dar check e esperar ver outra carta de graça é a melhor jogada.

PENSAMENTOS FINAIS SOBRE COMO JOGAR COM AS BROCAS

Jogar gutshots não é tão difícil, desde que você se lembre de que não é forçado a sempre apostar com isso. Geralmente é um semi-blefe bem fraco que precisa de algum incentivo extra para se tornar lucrativo. Isso pode ser uma overcard, um backdoor flush draw ou apenas estar em posição.

Isso é tudo por hoje! Leve estas dicas para o coração e comece a ganhar mais potes com seus gutshots. Se você tiver alguma pergunta ou comentário, use a seção de comentários abaixo.


Até a próxima,grinders!

Fonte: Royalpag



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Estratégias para Multi-Table Tournaments


Cinco Estratégias de MTT que devem ser Evitadas




Se você é um jogador de torneios de poker, provavelmente já ouviu alguma destas cinco dicas alguma vez na vida. Este artigo mostrará que algumas dicas espalhadas por aí não são tão boas quanto parecem e podem estar reduzindo a qualidade de seu jogo.


Dica Nº 1: “Você pode encontrar uma situação melhor”

Geralmente pessoas dizem que podem deixar passar algumas vantagens em torneios de poker utilizando do argumento que “podem encontrar um spot melhor”. Qualquer spot que for +EV deve ser agarrado com força. Para maximizar seu valor esperado, você deve aplicar movimentos e colocar suas fichas em jogo em praticamente toda situação que for +EV. É claro que existem exceções, como por exemplo um torneio satélite onde seu assento está garantido, foldar um AA neste caso pode ser aceitável. Para entender isso melhor, analise este pensamento. Se alguém te oferecesse dinheiro grátis, você recusaria utilizando-se do pensamento que poderia receber mais de outra pessoa?
Não, você não recusaria de uma pessoa só por pensar que outra ofereceria mais. Não existem situações melhores. Existem situações +EV e situações –EV. Todas as +EV são as melhores!


Dica Nº 2: “Você precisa evitar ir all-in em coinflips”

Como explicado anteriormente, ir all-in em um coinflip não é necessariamente uma situação ruim, é tudo baseado no valor esperado. Se a situação era +EV contra o range do adversário e acabou em um coinflip, foi apenas falta de sorte. Você foi all-in em uma situação +EV, porém deu azar de encontrar uma situação 50%/50%. Se você for o jogador a decidir se dá o call, ir all-in em um coinflip também pode não ser tão ruim, o pensamento é o mesmo.

Por exemplo, você tem uma tonelada de fichas e estima ter 45% de equidade sobre o range do adversário. Dar o call aqui deve ser +EV, afinal o número de fichas que pode ganhar transformará a situação em uma situação lucrativa. Para ser claro, procurar por coinflips não é o que está sendo dito no artigo, mas sim, procurar por spots +EV, se eles acabarem em um coinflip, paciência.


Dica Nº 3: “Apostar por informação” ou “Apostar para proteger minha mão”

Este plano não é bom. Você nunca deveria apostar para colher informação ou para proteger sua mão. Ambos os efeitos que você quer não devem ser o motivo da aposta. Você deve apostar apenas para: obter valor, blefar ou capitalizar o dinheiro “morto”. Não seja enganado quando alguém lhe diz para apostar para conseguir informação – o famoso “saber onde está pisando”.

Dica Nº 4: “ Torneios de poker são uma questão de sobrevivência”

Torneios de poker devem ser jogados pensando em fazer fichas em toda situação +EV possível. Não é uma questão de sobrevivência. Você joga um torneio para ganhar, e para ganhar deve acumular fichas. Sobreviver acabará lhe custando horas de jogo por uma premiação baixa ou até mesmo uma bolha.


Dica Nº 5: “Jogadores com grandes stacks devem evitar jogar contra outros big stacks”

Não, isso é uma mentira. Jogadores com grandes stacks devem evitar se envolver em situações –EV contra outros big stacks, já que um erro neste caso pode custar sua vida no torneio. Aliás, situações –EV devem ser evitadas contra qualquer jogador, a menos que o número de fichas em jogo compense a desvantagem da equidade.

Fique alerta, observe as estratégias, lembre-se de permanecer adquirindo conhecimento neste jogo que muda o tempo todo e tente pensar primeiramente na lógica e depois nas dicas que escuta nas mesas de poker.

Artigo traduzido e adaptado do original: Bad MTT Poker Tournament Strategy Advice