quinta-feira, 12 de junho de 2014

Crônica - Parte 3: “Heads Up Fora da Lei”


Crônica - A série
Parte 3: “Heads Up Fora da Lei”


Por MarcioCP


Eu estava otimista, olhava atento para os dois, agora, de um ângulo totalmente diferente. Eles pareciam calmos, concentrados. Pareciam ter assimilado os fatos que nos trouxeram até aquela mesa, escondida, iluminada por uma luz tênue num canto úmido de um depósito sujo, fedorento.

À nossa volta, 7 homens bem vestidos, porém, impactantes, grotescos após suas apresentações rápidas e hostis.
O primeiro, é um homem conhecido das manchetes de jornais, de programas policias de TV, um “notório” por assim dizer, um bandido. Junto a ele, outros três, todos dizendo “amém” ao que ele mandava e desmandava.

Mas havia um outro, um “calhorda”, homem baixo, atarracado, com um olhar ferino e, ao contrário do “bandido”, que era até gentil e cortês em suas ameaças, esse era mais ríspido, mais impactante, mais orgânico. Para ele, outros dois homens diziam “amém”. Dois homens assustadores, que empunhavam armas semiautomáticas durante todo o tempo.
Os três valetes do “bandido” eram mais de cercar, deixar no ar a insinuação de suas periculosidades. Agora, aquelas figuras assustadoras estavam a nossa volta, absortos em tudo que ocorria sobre a mesa verde.

Logo de início, o “bandido” e o “calhorda” deixaram bem claras suas intenções e suas disputas e o porquê de nos terem trazido (à força, bem da verdade) até aquele lugar lúgubre, onde eu tinha certeza, nem o mau cheiro de nossos corpos em decomposição fariam uma diferença naquele ambiente que chamasse a atenção de quem quer que seja para nos encontrar.

Não. Ali não haveria ajuda, salvação e, olhando em volta, olhando aqueles homens brutais, nem haveria fuga.
Que ficasse bem claro aos jogadores, a disputa deles seria de vida ou de morte. Eles estavam ali para disputarem um Heads Up. Mas, não um qualquer, um que decidiria uma disputa entre os interesses do “bandido” e do “calhorda”. Em paga a derrota, haveria apenas um prêmio: sangue.
Então, os dois homens a minha frente, campeões acostumados a enfrentar grandes pressões em disputas milionárias, agora, enfrentavam uma grande pressão por um prêmio de valor incalculável, suas vidas.

Meu papel? Sim, meu papel. Eu deveria separar as cartas que decidiriam quem vive, quem morre. Nunca antes, creio, um crupiê, teve um papel tão importante num jogo de poker. De minhas mãos viria a dor de um, a alegria de outro. Eu seria responsável por um crime, e seria responsável por salvar uma vida. Independente da sorte ou matemática tomarem a decisão, minhas mãos seriam o instrumento de tal decisão. Isso me deixava o mais desconfortável que já estive em toda minha vida.

O Heads Up já se arrastava por mais de 3 horas. De um lado, nosso grande campeão, acostumado a derrubar jogadores experientes, jogadores matreiros, ganhador de milhões de dólares e pulseiras, representando o “calhorda” e seus interesses.
Do outro lado, defendendo os interesses do “bandido”, um afamado campeão online, milionário, inteligente, que havia ganho notoriedade derrotando milhares a frente de uma telinha e agora, derrubava lendas ao vivo e a cores em mesas espalhadas pelo mundo.
O duelo do velho, experiente, senhor de si, simpático, “bom ganhador” até mesmo para aqueles que mais o odiavam, contra o jovem, o exibido, o “mau vencedor”, o arrogante.
Não que eles fossem realmente velhos ou novos. Não acho que a diferença de idade entre eles seja maior que 10 ou 12 anos, porém, era nítido que eram de escolas de poker diferentes e, com certeza, escolas de vida opostas.

Devo dizer que, após o choque inicial da situação, ambos se comportavam como campeões, assimilando que, naquele momento, mais do que nunca, deveriam jogar o melhor poker de todos os tempos.
Porém, mais forte que o “jovem campeão”, era sua índole ser, de acontecer, de centralizar todas as atenções sobre si. Quanto mais ele ganhava, mais a situação entre ele e o “velho campeão” se acirrava. Cada mão ganha era uma facada verbal vinda do “jovem” em direção ao peito do “velho”, um escárnio, uma comemoração, uma alusão, mas, sempre, sempre uma tentativa de humilhação desestabilizadora.

Confesso que, com tantos anos de poker, eu olhava aquilo com um profundo desprezo. Mas, não podia negar, ele demonstrava ser um jogador fora do comum. Isso me assustou, já àquela altura a stack do velho campeão estava abalada pelas boas mãos do jovem campeão e começava a ver em seu rosto uma mudança que só pude identificar como uma tristeza, talvez com uma pontada inicial de pavor. Sim, eu começava a ver em seu rosto, antes inexpressivo pelo calejar dos anos psicológicos de uma grande carreira no poker, um vislumbre da certeza de que ele iria morrer. Não depois, não por si ou fatalidade, mas ali, pelas mãos bárbaras daqueles valetes que rezavam para o “bandido” e para o “calhorda”.

Isso acendeu algo em mim, pois, até aquele momento, eu não parara para pensar no meu destino naquela trama estranha. O que seria de mim? Assim como o vencedor eles me poupariam? Ou isso era apenas um prêmio para quem vingasse nas cartas? E se o lado perdedor culpasse a mim pela sorte das cartas? E se o “calhorda” perdesse? Pelo que vi, ele com certeza era vingativo e sanguinário.

Agora, eu comecei a sentir uma estranha certeza de que iria morrer. Meu próprio pavor chegou e se instalou em meu rosto.
Quanto mais aquilo duraria? A stack do “velho campeão” estava se esvaindo, sendo tragada, talvez até por um dia de downswing. Não, não demoraria muito agora. E, justamente ele, representando o “calhorda”, o vingativo, o perigoso declarado naquele instante seria o lesado pelas decisões do baralho. O que seria de mim? O mesmo destino do velho?

Enquanto eu embaralhava e distribuía as cartas e todas essas coisas passavam como relâmpago por minha mente, um brilho no olhar do “jovem campeão” me acordou, tirou-me do devaneio de imaginar como e se teria o mesmo destino do perdedor.

Rapidamente, o “jovem campeão” deu saída num raise forte após relancear os olhos em seu pocket. O “velho campeão” parou, levantou a ponta de suas cartas e observou. Seguro de si, após fechar os olhos por alguns segundos que mais pareceram uma eternidade, ele aplicou uma 3bet.
O “jovem campeão” sorriu. Fez um call ligeiro, rude, estreitando os lábios num bico como de quem está saboreando uma iguaria doce e deliciosa.
Separei as cartas, espalhei-as pela mesa, e, fechando os olhos por um segundo, suspirei profundamente e as virei.

Um 8♥, um 3♣ e um A♦.
Um flop rainbow com uma pesada overcard. Eu tive a certeza que o “velho campeão” gostou muito daquele flop. De repente, uma sensação de alivio me invadiu, talvez o “bandido” fosse mais clemente se fosse derrotado. Ele parecia mais sensato, menos propenso a extremos como o “calhorda” decerto era. Parecia mais, “apaziguador”.
O “jovem campeão”, agora, com um semblante menos traiçoeiro que de início, arriscou uma aposta no flop. Achei que ele se curvaria e cederia, invés disso, ele aplicou uma bet do tamanho do pote.

Me assustei! Teria ele feito uma trinca? Dois pares? Novamente, fui tomado de assalto pela sensação de morte iminente. Olhei para o “velho campeão”, ele, sereno, tranquilo, apenas levantou a cabeça e fez call. Meu pavor, novamente, desapareceu.

Separei mais uma carta, coloquei-a sobre o verde, e lentamente virei-a. Um 7♥.
O “jovem campeão”, mais uma vez, apostou o valor do pote e, mais uma vez, o “velho campeão” resoluto fez um call, agora seco, sem pestanejar. Ambos, agora, se fitavam olho no olho. Vi faíscas, vi dois semblantes duros, não mais humanos, mas máquinas. Ambos sabiam que havia chegado a hora. Um viveria, um morreria. Qual dos dois eu seguiria? Comecei a tremer.

De minha mão tremula, a última carta, um decisivo e fatídico river estava agora deitado sobre a mesa e parei. Olhei-a por alguns instantes, o suficiente até para que os dois jogadores e todos presentes virassem seus rostos em minha direção. Todos agora, cientes de que eu, entre todos, era o mais assustado. Lentamente e com enormes tremedeiras, estiquei minha mão para virar aquela carta.

Uma Q♥!
Olhei a board. Nenhuma carta dobrada, nenhuma carta conectada. O que teriam aqueles dois espetaculares campeões para chegarem ali apostando suas vidas de uma única e decisiva vez?
O “jovem campeão”, sem tirar os olhos dos olhos do “velho campeão” pronunciou apenas:
— All-in!

Ao “velho campeão”, o call significava apenas empurrar todas as suas fichas, perder sua vida. Não que o “jovem campeão” ficasse em situação pior se perdesse, porém, com o que sobraria, ele não duraria mais do que 2 ou 3 mãos. O “velho” sabia, era agora ou nunca.
— Call! — anunciou o velho e, abrindo um sorriso, empurrou para o centro suas duas cartas, virando-as em seguida e exibindo um par de ases trincado no flop.

Uma sensação de salvação me invadiu! Minha tremedeira cessara, minha vida poderia estar salva!
— Excelente mão, velho! — começou o jovem. — Porém, você é velho, eu sou jovem. Eu tenho muito pela frente, você, não tem nada!

Ao pronunciar a palavra “nada”, o jovem virou suas cartas e meu sorriso desapareceu!
Um 3♥2♥ suited! Um flush! Desde o início, o jovem blefara, mas um fortuito runner runner selara os destinos daqueles três homens sequestrados.

— Eu vou viver! — gritou o jovem, levantando-se e abrindo os braços.
Olhei-o atônito, desesperançoso, quando o “bandido” olhou-o e estranhamente indagou:
— Viver?
— Sim, — respondeu o “jovem”. — não foi isso que você deixou bem claro desde o início? Quem ganhar vive, quem perder, morre?
— Você me entendeu errado. — atalhou o “bandido” — Essa disputa não se trata das vidas de vocês. Veja, eu e meu sócio divergimos de como devemos lidar com uma situação. Temos uma pequena comunidade e ela se apossou de algo que é muito importante para nós e quer “negociar” por esse algo. Meu sócio defende que invadamos e matemos todos e recuperemos o que é nosso. Eu, defendo que negociemos, talvez castiguemos um ou dois como lição, mas sem chamar a atenção matando tantas pessoas. Você vê? Hoje, na verdade, você salvou umas 40, 50, talvez mais pessoas.

— Então, — disse eu, sorrindo de felicidade e alivio por ter minha vida salva, e intrometendo-me pela primeira vez desde que tudo se iniciara. — não era sobre nos matar ou nos deixar viver? Era sobre a vida de outras pessoas!
— Exatamente. A vida de vocês três nunca esteve em questão neste jogo.
Nós três sorrimos aliviados.
— Veja bem, — continuou o “bandido”. — Nós nunca deixamos testemunhas de nossos negócios. Vocês já estavam mortos no momento que sentaram nessa mesa.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Aposte nos times da Copa do Mundo!!!



Olá amigos da PokerManiaBR!!!
A Copa do Mundo começa esta semana. Teremos a oportunidade de ver jogos sensacionais disputados por países com tradição no futebol.
Veja alguns exemplos: "Espanha x Holanda", "Inglaterra x Itália", "Alemanha x Portugal" e também os jogos da Seleção Brasileira, que são sempre um show.
E claro que todo mundo gosta de ver um jogo da Argentina para dar uma "secada" no time dos nossos  "hermanos".

E uma forma mais divertida e lucrativa de assistir os jogos é fazendo uma Aposta Esportiva!!
Sempre divulgamos aqui na PokerManiaBR o melhor site de apostas que fala a nossa língua, o "ApostasOnLine.com".


Além de ser totalmente em Português, o ApostasOnLine.com está com um visual renovado e moderno, o que ficou muito mais fácil de encontrar os jogos e fazer a aposta com somente um clique.

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O melhor site de apostas esportivas online

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Donkbet em Micro Limits


Donkbet em Micro Limits


Por Diógenes Malaquias

Olá
Neste artigo eu resolvi refazer e publicar um artigo sobre donkbet em micro limits de cash game online. Decidi sobre esse artigo, pois donkbets é uma jogada extremamente comum no cash game online de limites baixos e sabermos reagir bem a ela faz nossa lucratividade aumentar consideravelmente.

Definição:
Eu aumento pré-flop, o big blind paga e vai jogar fora de posição no pós-flop; vem o flop e o BB sai apostando. Esse conjunto de ações desenvolvido pelo adversário chama-se donk bet. Vou repetir: é extremamente comum nos depararmos com essa situação em micro (limites menores que nl100) stakes. As razões que os nossos adversários fazem a donk bet são sempre as mesmas, dessa forma, é muito simples, quase mecânico, jogar contra esse tipo de ação.

Motivação da donk bet:
É seguro falar que 99% dos jogadores que usam essa jogada nesses stakes são donkeys/patos. E eles sempre pensam do mesmo jeito:

“Vou apostar para ver onde estou”
“Vou apostar para roubar o pot primeiro“


Eles realizam a donk bet apenas blefando ou com mãos marginais. Eu nunca vi um micro staker (jogador desses limites) dar donk bet com uma mão tipo top pair e kicker bom.
É importante ressaltar que essa jogada não se enquadra apenas na situação do exemplo que dei. A donk bet, de uma forma mais geral, é a jogada na qual um jogador, fora de posição, paga um raise (aumento) pré-flop de um jogador em posição e, no flop, começa apostando.


Estratégia contra a donk bet
Como já disse, enfrentar uma donk bet em micro e small stakes é muito fácil. Meu conselho para quando você se deparar com um move (blefe) desses é:

• Com mão fraca, dê raise sempre. Faça um raise forte. Você vai constatar que eles vão foldar (largar) quase sempre.
• Com mão forte, jogue devagar e apenas pague a donk para você extrair ainda mais dinheiro das mãos fracas e blefes do seu oponente.

Eu te asseguro que, contra patos, esse é o melhor jeito de você jogar contra a donk bet.

Fazendo anotações
Como de costume: todas as regras tem as suas exceções, então nós vamos fazer um note (anotação) para os outros 1% dos adversários que fizerem a donkbet com um mão que não seja fraca. Assim vamos nos adaptar para reagirmos de acordo com o nosso note na próxima vez que ele usar dessa estratégia.

Cuidado contra bons jogadores
A segunda ressalva para a linha de raciocínio apresentada é que você deve tomar cuidado ao jogar contra um bom jogador. Eles sabem tudo isso que falei – donkeys realizam donk bets com mãos fracas e bons jogadores reagem dando raise quando possuem mãos fracas – e usarão esse conhecimento contra você.
O bom jogador dará donkbet com trincas e draws com a intenção de dar uma 3bet (re-raise) em cima do seu raise. Adotando essa linha, ele terá uma fold equity (porcentagem de vezes que você irá largar/foldar) muito grande quando tiver um draw e balanceará muito bem seu range quanto tiver trincas – fato que o ajudará a extrair o máximo de você naquela mão.

Agora vamos a um exemplo geral:
O jogo é nl50 6máx.
Nós damos raise pré-flop no cut off e o small blind paga. Todos os outros jogadores dão fold.
Flop: ($4.50, 2 players) 4 9 6

O adversário da uma donkbet e:


Lembrem-se que poker não é uma receita de bolo, mas existem várias regrinhas, como essa, que possuem eficiência comprovada.


Publicado originalmente no blog do Diógenes Malaquias

domingo, 8 de junho de 2014

Mágicas com Cartas - 46º Truque




Aprenda a fazer mais de 600 mágicas impressionantes! Mesmo se você não tiver experiências com truques, em poucos dias você estará impressionando todos os seus amigos e família! Mágicas fáceis de aprender e que apresentam um grande efeito final.

A diferença está realmente no conhecimento, APRENDA A FAZER MÁGICAS, realizando um ato mágico para fazer da ilusão um encanto a todos.

- Mágicas com Cartas de Baralho
- Mágicas com Barbantes, Moedas e Cédulas de Dinheiro
- Mágicas com Relógio, Palitos de Fósforo e Latinhas de Refrigerante
- Mágicas com Pipoca e com Colher.



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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Precisando de uma Mãozinha?


Precisando de uma Mãozinha?


Por Alan Schoonmaker

Você quer jogar melhor e aprimorar seus resultados, certo? Talvez você precise de uma ajudinha, mas não sabe direito qual buscar.

Você tem sorte de estar jogando nos dias atuais, em que há muita informação disponível. Os jogadores da velha guarda precisavam aprender com a experiência, um processo lento e caro. Com as ferramentas de hoje em dia, sua curva de aprendizado pode ser muito mais íngreme.

O problema é que há tantas ferramentas que fica difícil escolher as certas. Você pode ler a Card Player e livros, assistir a vídeos e DVDs, cadastrar-se em sites de treinamento, usar softwares diversos, frequentar aulas, participar de fóruns online e grupos de discussão, trabalhar com um colega de poker ou contratar um coach particular.

Naturalmente, as ferramentas recomendadas para você dependem de suas metas, forças, fraquezas e outros fatores. E muita gente perde tempo e dinheiro escolhendo o tipo errado de ajuda.
Essa série de artigos vai lhe ajudar a fazer essas escolhas. Vamos começar discutindo cinco regras gerais:

1. Aplique a teoria do aprendizado.
2. Prepare-se para trabalhar duro.
3. Determine cuidadosamente o que você precisa.
4. Selecione as ferramentas adequadas.
5. Use essas ferramentas de maneira correta



Aplique a Teoria do Aprendizado

Milhares de páginas de pesquisas e análises acabaram nos mostrando vários princípios sólidos. E pelo menos dois deles você deve aplicar:

1. Atividades de aprendizado devem acontecer numa ordem lógica.
2. O que o aluno faz é muito mais importante do que o que o professor faz.

Os professores mais preparados, do jardim de infância à universidade, aplicam o primeiro princípio razoavelmente bem. Eles ensinam o básico primeiro e depois, lentamente, apresentam os mais avançados.

A matemática tem a sequência mais rigorosa: contar, somar, subtrair, multiplicar, dividir, e assim por diante. É quase impossível compreender conceitos avançados sem antes entender os mais elementares. O mesmo raciocínio se aplica de forma menos rígida a quase tudo.

Infelizmente, muitos “professores” de poker (coaches, escritores, palestrantes) jamais estudaram teoria do aprendizado. Embora dominem a estratégia do jogo, eles não sabem como ensiná-la. Eles estão particularmente propensos a cometer erros quanto à sequência correta dos temas.

Por exemplo, muitos livros, vídeos e cursos são uma grande confusão de princípios básicos, intermediários e avançados. Como o material não está bem sequenciado, você deve organizar suas atividades de aprendizado. Evite ferramentas que não se sejam adequadas às suas habilidades ou à situação. Por exemplo, não tente aprender como grandes jogadores fazem jogadas extraordinariamente sofisticadas uns contra os outros assistindo programas de poker na televisão. Isso não vai lhe ajudar – na verdade, algumas dessas jogadas podem lhe custar caro.

A maioria dos professores de qualquer disciplina não compreende ou aplica o segundo princípio: o que o aluno faz é muito mais importante do que o que o professor faz. Em vez disso, eles se concentram em suas próprias ações:

• Que pontos eu devo abordar?
• Que exemplos devo dar?
• Que histórias devo contar?
• Que imagens devo mostrar?

Eles não se fazem uma pergunta primordial: O que os alunos estão fazendo?

Se prestassem atenção, veriam que os alunos estão apenas sentados passivamente. Eles não podem aprender muito dessa maneira.

Por que os professores não ajudam os alunos a aprender de forma mais ativa? Primeiro, porque desconhecem a teoria do aprendizado. Segundo, porque dá trabalho desenvolver e conduzir atividades de ensino. É muito mais fácil e agradável apenas falar e falar.



Prepare-se Para Trabalhar Duro

Como suas ações determinam o quanto você aprende, você obviamente precisa trabalhar – pena que a maioria das pessoas não quer fazer isso. Na verdade, muitas delas acham que evoluir é fácil. Pura ilusão.

A toda hora, vemos livros, revistas, rádio e televisão prometerem que você pode, de forma rápida e fácil, perder peso, ficar saudável, aprender espanhol, ficar rico, etc. As autoridades do poker raramente fazem afirmações extremas como essas, mas podem sugerir que é possível melhorar de forma não realista suas habilidades e resultados. Pessoas ingênuas naturalmente esperam “conduzir seus jogo para o próximo nível” num estalar de dedos. Elas quase sempre se decepcionam.

Então, o que elas fazem? Vão correndo comprar outra solução rápida e fácil, seja um livro, uma aula ou um coach dê a elas os resultados que elas “merecem”.

As pessoas também esperam – inocentes – que programas de melhoria/evolução sejam divertidos. Não se pode esperar melhorar muito vendo vídeos divertidos ou lendo bons livros de maneira superficial. Essa é uma postura passiva, e você ganha mais aprendendo ativamente, por meio de trabalho duro.

Também é preciso trabalhar de forma inteligente, tema dos três tópicos a seguir.



Determine Cuidadosamente o Que Você Precisa

As pessoas perdem tempo e dinheiro pulando esse passo. Elas simplesmente compram um livro, se inscrevem em um curso ou contratam um coach. É como ir ao médico e dizer: “Me dê uma receita de penicilina”.

Médicos competentes não prescrevem nada sem ter informações não apenas sobre seus sintomas atuais, mas também sobre seu histórico médico. Essas informações os ajudam a diagnosticar seus problemas e tratá-los com mais eficiência.

A mesma lógica se aplica à evolução do seu jogo. Você deve examinar a fundo seus “sintomas” atuais (as causas aparentes dos seus resultados decepcionantes) e todo seu padrão de forças e fraquezas. Colunas futuras vão lhe ajudar a fazer essa análise.



Selecione as Ferramentas Adequadas

Livros, vídeos, softwares etc., são apenas ferramentas úteis para objetivos bem específicos. Você não deve bater em um prego com uma chave de fenda, e a maioria das pessoas não tentaria fazer isso.

Mas, quando o assunto é jogar melhor, as pessoas são bem menos sensatas. Por exemplo, eles contratam um coach para ensiná-los o básico sobre odds e estratégias, mas podem aprender isso mais depressa e de forma mais barata por meio de livros. Inversamente, eles podem tentar analisar suas forças e fraquezas lendo livros, muito embora um coach seja muito mais indicado.




Use Essas Ferramentas de Maneira Correta

Selecionar as ferramentas certas não vai lhe ajudar muito se você não as usar de maneira adequada. Infelizmente, muita gente não aprende a usá-las, ou não trabalha duro o bastante para tanto.

Por exemplo, muitos livros contêm questionários, mas a maioria dos leitores não os responde. E quase ninguém discute os resultados desses questionários com outras pessoas, para compreender por que errou determinada pergunta e o que tais respostas sugerem sobre suas capacidades, posturas e necessidades de melhoria.

Isso dá trabalho. Pior ainda, é doloroso se analisar com olhar crítico. Portanto, a maioria das pessoas fecha o livro, risca aquilo da sua lista e pula para o próximo tópico.

O resto dessa série vai lhe ajudar a aplicar esses (e outros) princípios para melhorar suas habilidades e resultados. Não será fácil ou divertido, mas se você estiver disposto a trabalhar, analisar a si mesmo e pensar de forma crítica, você provavelmente se surpreenderá com o quanto irá melhorar. ♠


O Dr. Alan Schoonmaker é PhD em psicologia ocupacional e autor da Trilogia da Psicologia do Poker

Artigo Publicado Originalmente na CardPlayerBrasil

terça-feira, 3 de junho de 2014

7 hábitos que você precisa abandonar se quiser ter sucesso nas mesas



7 hábitos que você precisa abandonar
se quiser ter sucesso nas mesas

Por Caio Pessagno
Quem disse que seria fácil, não é mesmo? Ninguém realiza seus sonhos sentado no sofá. Nem por sorte. Sonhos são realizados com suor.
É muito fácil arrumar uma desculpa para as dificuldades que você encontra. Mas a culpa não é do universo, da humanidade, do governo, dos políticos, da polícia, da sua família, do PokerStars, daquele tiozão estrela, do baralhão russo, ou sei lá mais o quê. Isso é difícil de engolir mas, na maioria dos casos, a culpa é sua mesmo. Sinto muito.
Por isso, fiz essa lista de coisas que você precisa parar de fazer pra ter sucesso no poker. Caso esse seja seu sonho, como era o meu, acho que pode ajudar.


1. Preguiça
Aquela história do “amanhã eu faço”, sabe? Essa vontade de deixar para depois é o primeiro mal a ser combatido. Enquanto você deixa de estudar ou praticar, pode ter certeza que tem muita gente correndo atrás. Quando encontrar essa galera nas mesas, você vai sentir na pele o prejuízo. Portanto, mãos à obra, parceiro! Nada vai cair no seu colo!



2. Medo do julgamento
Se preocupar com o que os outros vão pensar acaba com sua autoconfiança e reforça a preguiça. Obvio que críticas e opiniões podem ser super construtivas, mas isso não pode pesar demais e ditar seus atos. Quando começaram a falar de mim no MaisEV, por exemplo, me ridicularizaram por causa do polêmico raise/fold com 10 big blinds ou menos. Fui apavorado no maior fórum de poker do Brasil! Kkkkkk! Hoje em dia, muita gente usa e entende essa linha. E tem gente que ainda me zoa. Se você sabe porque faz alguma coisa, se confia no seu taco em relação a alguma coisa, não deixe as opiniões dos outros te atrapalharem.



3. Salto alto
O ego do jogador de poker é um de seus pontos fracos. É muito importante deixar o ego de lado. Colocá-lo na mesa é garantia de prejuízo financeiro no longo prazo. Não leve as coisas para o pessoal. Esse é um jogo em que não existe verdade absoluta. Esteja aberto a outros conceitos. No poker não existe aquela coisa de comemorar o gol gritando “eu sou f…”, tá ligado?



4. Ideia fraca
Se você quer evoluir, precisa se cercar de pessoas e ideias que ajudem nessa evolução. Obvio, não é? Meu amigo, você decidiu ser jogador de poker. Não preciso dizer aqui que você vai sofrer algum preconceito da sociedade. Dos amigos e, muito provavelmente, da própria família. Se ficar ao lado de pessoas que te dizem que não vai dar certo, sabe o que vai acontecer? Pois é. Esteja com as pessoas que acreditam no seu sonho. Não alimente papos que minimizem o suas ambições, que coloquem em dúvida seu potencial.



5. Mimimi
Vai reclamar de bad beat a vida inteira? Vai ficar aí falando que o site é catrupiado? Que tal cara é favorecido? Que os outros têm sorte e você azar? Faz o seguinte: fica 10 dias sem reclamar da vida, da bad, do baralho, do PS, dos deuses do poker, dos russos, e depois me diz como foi. Se você quer ser um jogador de poker, abandone agora esse vício! Não consigo ser mais direto que isso.



6. Resistência à mudança
É importante descobrir o que está influenciando quando as coisas não estão dando certo. E é preciso humildade para isso. É na sua vida pessoal? É no jogo? É na parte técnica? Emocional? Sempre vai existir uma outra forma de solucionar os problemas, mas nem sempre é a sua. Quando enxergar algum problema, não hesite em mudar.




7. Desculpas de sempre
Elas não fazem mais sentido. Você não precisa delas. Trabalho, estudo, vontade, dedicação, criatividade, energia positiva. É disso que você precisa para realizar seu sonho. Siga evoluindo, agora seu pensamento é outro. Segue o jogo!


Publicado originalmente no blog do Caio Pessagno

sábado, 31 de maio de 2014

Personalidades do Poker - 47º Card

Huck Seed

Huckleberry Seed nasceu no dia 15 de janeiro de 1969 na cidade de Santa Clara, California.

Seed cresceu na cidade de Corvallis, em Montana. Seu nome de registro, Huckleberry, é uma referência ao personagem-título do livro As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, de quem seu pai era fã.
Quando jovem, Seed destacava-se em diversas atividades esportivas, particularmente basquete, tendo sido um dos principais jogadores da equipe de sua escola, Corvallis High School.

Tinha também grande facilidade com números, o que o levou a cursar Engenharia Elétrica no prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia.
No entanto, em 1989, aos 21 anos decide abandonar o curso para jogar Poker profissionalmente.

5 anos depois, em 1994, venceu seu primeiro bracelete da World Series of Poker, na modalidade Pot Limit Omaha.


Em 1996 venceu o evento principal da WSOP, derrotando Bruce Van Horn no heads-up final e conquistando o prêmio de $1,000,000.
Em 1999, novamente fez a mesa final do torneio, sendo eliminado em 6º lugar pelo vencedor Noel Furlong.

Nos anos seguintes viria a conquistar mais dois braceletes, ambos em Razz: em 2000, numa mesa final que incluía Men Nguyen e Chris Ferguson; e em 2003, numa mesa final com Phil Ivey, Ted Forrest e John Juanda.

Huck Seed também é reconhecido como um dos melhores jogadores de torneios de heads-up do mundo.
Dentre suas conquistas, destaca-se o Canadian Open Poker Championship de 2008, no qual derrotou o canadense Brad Booth na final; e o prestigiado National Heads-Up Poker Championship de 2009, derrotando Vanessa Rousso na final e conquistando o prêmio principal de $500,000.
Nesta competição, que teve início em 2005, Seed detém o melhor recorde geral, com dezoito vitórias e apenas quatro derrotas.



Em 2010, ganhou o Semente World Series of Poker Tournament of Champions freeroll de $ 500,000.

Até 2013, o seu total de ganhos em torneios ao vivo ultrapassa os 6 milhões de dólares.
Ele tem quatro braceletes WSOP e ficou 47 vezes na faixa de premiação no WSOP, representando $3,102,625 de seus ganhos em torneios ao vivo.

Huck é bastante conhecido por suas apostas contra outros jogadores (chamadas de proposition bets ou prop bets); em uma delas, apostou $50,000 com Phil Hellmuth de que conseguiria ficar no oceano, com água até os ombros, por 18 horas seguidas.
Seed resistiu por apenas três horas.
Uma outra vez ele apostou que ele seria capaz de ficar um ano inteiro sem fazer a barba.

Huck Seed vive atualmente em Las Vegas.


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