terça-feira, 1 de outubro de 2019

Saiba se Defender de C-Bets


Defesa Contra Continuation Bets


O QUE É CONTINUATION BET?
 PARA QUEM AINDA NÃO SABE, TRATA-SE DA APOSTA FEITA NO FLOP APÓS VOCÊ TER DADO RAISE ANTES DO FLOP.



Todos sabem que a continuation-bet (c-bet) é uma parte importante da estratégia do Poker. É uma ferramenta bem conhecida e aplicada pela maioria dos jogadores em algum momento. Como muitos aplicam c-bets, é fundamental saber como se defender.

Ao se deparar com uma c-bet, tenha em mente que a maioria dos flops erram a maioria das mãos, principalmente em potes com somente 2 jogadores. Mas para se defender bem é necessário leitura do vilão.

Caso não possua um programa de estatísticas, preste atenção nas mãos em que não estiver envolvido e observe a frequência com que seus adversários aplicam “continuation bets”. Essas c-bets são de que valor? Meio poet, 2/3 do pote, do tamanho do pote? Lembrar esses detalhes fará diferença quando enfrentar esse jogador.

Um bom jogador fará “continuation bet” em pelo menos 50% das vezes em que é o raiser pré-flop, podendo chegar a 75%. Com essa frequência é difícil identificar quando ele tem ou não uma boa mão. Jogadores que fazem c-bets menos que isso geralmente só o fazem se acertam algo, quando possuem um draw forte ou seguram um par feito na mão. Já os que usam esta tática em mais de 75% dos flops, geralmente o fazem com quaisquer duas cartas, tendo acertado ou não.

Para decidir o que fazer, considere a freqüência de “continuation bets” do oponente e o valor da aposta. Por exemplo, caso o oponente tenha 95% de c-bets e sempre aposta o tamanho do pote, não se assuste quando ele fizer o mesmo contra você, pois ele irá fazer. Já se o jogador aplica apenas 25% de “continuation bets”, o ideal é continuar na mão somente se tiver acertado algo forte.

Sendo assim, teremos basicamente três situações no flop.

1: Acertou bem o flop ou o nuts

O melhor cenário possível. Você terá um maior par com maior kicker, trinca, sequência, flush, etc. Em um pote cheio de oponentes, uma boa opção seria dar call para atrair o call de outros vilões, tornando o pote maior. Um raise provavelmente isolará apenas 1 vilão, e esse não é o objetivo. O call também pode induzir o vilão a blefar ou semi-blefar uma segunda vez (second barrel).

Outra linha é dar raise após uma “continuation bet”. Nesse caso o oponente só continuará na mão se tiver acertado algo como um par ou um draw.

Entre as duas linhas, geralmente a mais recomendada é o call, mas você pode variar entre call e raise dependendo da situação. Exceção ocorre quando bater um A no flop, pois em geral o vilão com par alto estará disposto a colocar muitas fichas no pote, então você pode jogar mais agressivo.


2: Acertou parcialmente o flop ou possui draw forte

Nessas situações a leitura é muito importante. Se o oponente aplica “continuation bets” com frequência, o mais apropriado seria dar call e reavaliar a situação no turn. Caso não apareça nenhuma carta perigosa (scary card) ou o vilão demonstrar fraqueza como dar check, ou uma aposta fraca como 1/3 ou 1/4 do pote, tomar a liderança poderá te dar o pote. Muitos oponentes jogarão check/fold caso não tenham conseguido roubar o pote no flop. Caso você seja pago, ainda terá alguns outs para melhorar a sua mão, podendo reavaliar a situação nas próximas rodadas.


3: Não acertou nada ou possui draw fraco

O mais indicado é optar pelo fold. Considere o call se tiver odds favoráveis, por exemplo se a aposta do oponente for pequena. Outra opção é usar a técnica “float”, que consiste em pagar como um blefe e no turn acelerar o jogo. Mas usar esta estratégia sem nenhuma leitura será prejudicial a longo prazo, por isso o fold é a melhor opção caso não possua odds adequadas.

Neste artigo discutimos como agir quando estiver encarando uma continuation-bet do oponente. Saber quando lutar pelas fichas e quando largar vai depender não só das cartas que possui mas principalmente do histórico do oponente, e sua leitura da mão específica.



sábado, 28 de setembro de 2019

Jogando contra Adversários Agressivos


Como jogar poker contra adversários muito agressivos?

 Dê corda a eles!




por Rafael Justplay


Em todos os home games que eu já joguei eu vi pelo menos um deles. Nos torneios que visito ou disputo por aí, também. Uma característica comum em mesas de poker é ter pelo menos um jogador que disputa muitas mãos e é sempre agressivo. Eles parecem se dar bem, mas somente quando você não toma o devido cuidado. Para cada tipo de jogador uma estratégia e hoje você vai aprender como vencer aqueles que parecem maníacos, apostando sem parar e entrando em muitas mãos.

Primeira coisa que devemos considerar e, neste caso ainda mais, é usar como algo vital a posição. Se você não tiver posição sobre ele não vai ter como se esquivar, muitas das vezes. Sempre que ele tomar decisões depois de você a agressão será inevitável e, como devemos muitas vezes apenas pagar ao invés de tomar atitudes, jogar fora de posição será muito desconfortável. Considere isso como primeiro e vital elemento antes de enfrentá-lo em uma mão.

O segundo ponto importante é que você deve maneirar um pouco suas agressões, também. Sabendo que ele frequentemente aumentará e dará novos raises, você pode optar por somente pagar suas apostas e ir coletando mais fichas para o pote. Isso também quer dizer que você, jogando em posição, pode considerar um range maior de mãos para enfrentá-lo, desde que entenda que isso tem um preço e você deve saber jogar melhor pós-flop para pegá-lo. Posição e um range maior? Você está no caminho certo, contra ele.

O terceiro fator importante é a paciência. Por ele ser agressivo, você pode começar a se ver meio irritado e vai querer tentar resolver as coisas na força, usando o estilo dele de jogo. Não existe motivo para você querer derrubar esse adversário a qualquer custo, já que você está mais preparado e pronto para fisgá-lo para uma armadilha muito bem pensada. Evite jogar mãos demais, evite enfrentá-lo demais e finja que a agressão dele não está surtindo efeito em você. Na hora certa, mesmo que jogando uma range maior de mãos, você será capaz de derrubá-lo sem problemas.

O poker é um jogo de paciência, um jogo de pessoas. Esse adversário pode conseguir vencer mãos usando a sorte em momentos chave mas você está mais preparado e, no longo prazo, é um vencedor. Não se abale, não precisa alterar seu estilo de jogo, a vitória do poker está em quem é mais preparado e sabe usar as vantagens que o jogo traz a seu favor. Vencê-lo não precisa ser questão de honra e o tipo de coisa que precisa ser feita a qualquer custo, você só precisa esperar a hora certa, estar preparado e armar uma ótima armadilha para ele. E poderá fazer isso quantas vezes forem necessárias.

Espero que se inspirem nessa coluna de hoje, eu levei algum tempo para entender um conceito que parece simples mas que na prática é um pouco mais foda de implementar. Boa sorte nas mesas e nos vemos semana que vem.



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Fases do Aprendizado

Shu Ha Ri


As fases do aprendizado


por Fellipe Nunes e Marcelo Muller


Na coluna deste mês, vou abrir o espaço para Marcelo Muller, jogador que entrou no FLOW em setembro de 2014 e hoje, além de jogar, integra nossa equipe técnica.

Há algum tempo, instigado pelo trecho de algum livro, comecei a pesquisar sobre artes marciais japonesas e encontrei um conceito muito interessante para aplicarmos ao poker: Shu Ha Ri, que traduz o processo de aprendizado, desde o início à maestria. Cada parte do conceito diz respeito a uma fase que se relaciona com as outras de forma linear.

Shu, que representa o começo nas artes marciais, é o momento no qual se aprende os movimentos básicos e consolidados, que serão repetidos muitas e muitas vezes até se tornarem automáticos. Para chegar à etapa seguinte, Ha, a primeira deve ter sido dominada.

No segundo estágio, a subjetividade do indivíduo começa a ser aplicada às técnicas, e ele testa movimentos que outros criaram para verificar quais melhor se adequam ao seu estilo.

Ri, por sua vez, é quando a maestria pode ser alcançada. Os movimentos básicos são automáticos, diversos outros foram testados e já se conhece o próprio estilo. Esse é o momento em que se utiliza toda a experiência adquirida até ali para transcendê-la e criar algo único.

Além de ser um bom caminho para estudar o poker, as etapas do Shu Ha Ri, nos alertam para não tentar pular momentos do aprendizado. Muitos jogadores procuram imitar técnicas dos profissionais que admiram sem antes terem uma base sólida e compreensão dos ranges básicos. Isso pode fazer com que o jogo fique desajustado e sem coerência, e as técnicas podem ser empregadas em momentos não ideais. Daniel Negreanu não aprendeu a fazer suas excelentes leituras de ranges da noite para o dia. São as muitas situações pelas quais passou e analisou que o levam, naquele momento, a olhar para o adversário e conseguir prever qual mão ele tem.

Outra situação comum é encontrar jogadores que desde o início de suas jornadas no poker querem inventar novas maneiras de jogar, inspirando-se em profissionais vencedores que jogam fora do padrão. Não há problema em ser criativo nas mesas, mas é importante primeiro solidificar os conhecimentos iniciais e o entendimento básico de ranges e situações. O bom jogador que costuma inovar, provavelmente já passou pelas primeiras etapas e, depois de ter aprendido o básico, testado muito e compreendido seu estilo de jogo, cria jogadas novas. Para quebrar um padrão, é preciso antes compreendê-lo.

Mesmo que você não tenha muita certeza em qual estágio se encontra, se organize e tente recomeçar do simples. Aprenda o básico e o execute diversas vezes até que ele tornar-se automático. Você pode identificar esse momento quando perceber que ao olhar rapidamente para uma situação já compreende qual é a melhor jogada a ser feita.

Quando dominar o Shu, pode ter certeza que já estará à frente de boa parte dos jogadores. Então, você pode dar o próximo passo com mais segurança e chegar ao Ha, o momento de criar sua identidade. Tente reproduzir jogadas de outros jogadores que saem do padrão. Teste quais funcionam. Construa seu estilo e linha de raciocínio. Quando chegar ao Ri, conseguirá transcender o que aprendeu com base em toda bagagem adquirida e poderá criar novas jogadas e modos de leitura, de forma muito mais coerente e sofisticada. Esse momento, a maestria, é onde poucos estão.



segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O Nut-Flush Draw



O Nut-Flush Draw

Uma mão forte de pot-limit Omaha




por Jeff Hwang


Em Pot-Limit Omaha Poker: The Big Play Strategy, eu afirmei que a presença de duas cartas para um flush no bordo tira significativamente o valor de um wrap quando você mesmo tem um flush draw (página 50, “When There is a Two-Flush on the Flop”). Em um flop com 10♦ 9♦ 2♥, por exemplo, Q♣ J♣ 8♠ 7♠, um wrap de 20 cartas, é um azarão em quase 3-2 diante de A♦ A♠ 4♣ 3♦, um par de ases com o nut flush draw. Diante disso, você deve tender a jogar com mais cautela quando segurar apenas um wrap e um flush draw for possível, especialmente quando a SPR [stack-pot ratio, ou “razão estoque-pote”] atingir a gama [média] de três bets.

Mas vamos inverter os papeis por um instante. Digamos que você tenha o nut-flush draw: analisando algumas disputas entre mãos, fica bastante claro que o nut flush draw é bem forte contra um oponente que também tem um draw, mesmo quando ele também tenha um flush draw. Em um bordo com Q♠ 6♠ 5♦, por exemplo, A♠ K♥ 10♥ 2♠, nut flush draw seco com ace high, é favorito de cerca de 2-1 contra 10♠ 9♠ 8♥ 7♥, nut wrap de 13 cartas com um flush draw, e é apenas um leve azarão contra 9♠ 8♠ 7♥ 6♥, um par mais o nut wrap de 13 cartas com um flush draw. Enquanto isso, A-A mais o nut flush draw vai ser bastante forte mesmo contra os maiores draws.

Isso significa que você pode jogar com bastante força o nut flush draw em situações em que seu oponente não tem uma trinca para jogar com você valendo estoques inteiros — ou seja, situações de SPR baixa, assim como situações de SPR média quando você tem A-A, outro par ou algum tipo de draw para acompanhar.


De fato, o nut flush draw não se dá tão mal mesmo contra um oponente que segura A-A-X-X em uma situação de SPR baixa, que ocorre em muitos potes que são tribetados pré-flop, em particular contra oponentes que tribetam pré-flop apenas com A-A-X-X.

Lembre que, quando a SPR é 4, você precisa de equidade de apenas 44,4% para justificar um confronto all-in no flop, e que, com SPR de 2, você precisa de equidade de apenas 40% — azarão em 3-2 ou melhor — para justificar um confronto valendo todas as fichas. Bem, acontece que o nut flush draw sozinho é melhor do que um azarão em 3-2 contra A-A-X-X: em um flop de 7♦ 6♥ 5♦, a mão A♦ K♦ Q♥ 10♠ é azarão em 41,7% a 58,3% contra A♠ A♣ 9♠ 2♣. Com uma queda para flush de copas na última carta (backdoor draw), uma mão como A♦ K♦ Q♥ 10♥ melhora para um azarão em 47,0% a 53% diante de A♠ A♣ 9♠ 2♣.

Com um backdoor wrap, o nut flush draw se dá melhor que 44,4%: em um flop de J♦ 6♥ 5♦, a mão A♦ K♦ Q♥ 10♠ tem 45% de equidade contra A♠ A♣ 9♠ 2♣. E com um backdoor wrap e uma queda para flush na última carta em um flop de J♦ 6♥ 5♦, uma mão como A♦ K♦ Q♥ 10♥ melhora para 49,9% de equidade — um coinflip — contra A♠ A♣ 9♣ 2♣. (Nota: se as percentagens parecerem maiores do que o que você espera, é porque dois pares até a última carta e straight draws são muito mais prováveis de ocorrer em Omaha do que em hold’em).

Dito isso, o nut flush draw sozinho tem mais de 40% de equidade contra A-A-X-X, então é difícil errar ao dar shove com o nut flush draw apenas quando a SPR é 2, mesmo quando você sabe que seu oponente tem A-A-X-X. De fato, as percentagens são próximas o suficiente para tornar correto dar shove com o nut flush draw em situações de SPR baixa como regra geral.




WRAP (conceito)

Uma mão inicial, não necessariamente uma queda depois do flop, na qual todas as suas cartas têm um valor aproximado (cartas para straight). O melhor wrap é 8-9-T-J com duas do mesmo naipe. Simplesmente uma mão inicial com várias de cartas para um straight.

Nota do editor: Essa coluna é um excerto editado do novo livro de Jeff Hwang, Advanced Pot-Limit Omaha: Small Ball and Short-Handed Play, que será lançado em breve, em português, pela Raise Editora.




sábado, 21 de setembro de 2019

Como Detectar o Blefe no Poker


Detectando o Blefe



Três elementos principais para detecção




por Bob Ciaffone


Existem três elementos principais na detecção de blefes: “tells”, conhecimento do oponente e reconhecimento do tipo de situação. Discutiremos cada um deles.

Tells é o termo do poker para os maneirismos do oponente, dicas físicas que podem retratar o estado mental e o significado da aposta dele. Você não pode usar essas tells quando joga poker online. O único “maneirismo” que se consegue observar é o tempo que alguém leva para jogar. Contudo, esse tempo pode ser resultado de se estar jogando em vários mesas. O oponente pode precisar fazer uma jogada rápida para poder ir adiante e se concentrar em uma situação em outra mesa, ou pode se atrasar porque já está envolvido naquela situação. Existem outras distrações que afetam o ritmo e podem influenciar também: um telefonema, uma campainha, uma criança ou um cônjuge.

Em um jogo ao vivo, uma tell pode afetar bastante sua decisão. Eu não converso muito na mesa quando estou em uma mão. No entanto, alguns de meus alunos que são bons jogadores e se encontram diante de uma grande aposta gostam de conversar com o oponente. O que me surpreende é que eles obtêm sucesso em conseguir que o adversário comece a falar! E se o oponente começa a falar, ele em geral se entrega — especialmente se não estiver blefando. Eu vejo, é claro, esse tipo de conversa com o quem colocou a aposta, e a vejo ser respondida. Na maior parte do tempo, eu tenho uma sensação forte sobre uma ou outra coisa, e formulo uma opinião sobre como uma aposta deve ser respondida. Então, meu conselho é fazer com que o oponente fale quando aposta e manter sua boca fechada quando você estiver fazendo a aposta.

Eu chego a muitas conclusões com base no ritmo do oponente. Muitos deles, quando seguram uma mão forte, fazem uma “hesitação cortês”, levando cinco ou dez segundos para agir mesmo quando sabem o que vão fazer. Se você vir essa pessoa agindo sem dar uma pausa e sendo pega blefando, essa é uma informação válida que deve ser armazenada para uso posterior. Para interpretar ritmo ou maneirismos com confiança, é bastante útil saber algo sobre o oponente, em vez de interpretar uma ação de determinada forma independentemente de quem a execute. Por exemplo, se você começar a apostar e seu oponente pegar as próprias fichas antes de você ter colocado qualquer montante no pote, na maioria das vezes ele está tentando fazer com que você pare de apostar ou induzir uma aposta menor. Entretanto, ele ainda pode lhe pagar a contragosto. Além disso, um novato no poker pode não saber que você tem a opção de parar sua aposta e estar apenas se preparando para agir. Portanto, é preciso ter em mente que uma leitura de um oponente é muito mais confiável se você já tiver algo com que comparar quando aquele mesmo jogador se envolveu em uma situação similar.



A psicologia do poker é tal que um jogador fica muito mais propenso a blefar quando está perdendo. Um jogador que está por baixo vai procurar se recuperar, e geralmente tem pressa em fazer isso. O resultado é que ele joga mais mãos e, portanto, fica mais propenso a entrar em uma situação ruim na qual a única maneira de ganhar é usando a força. Ele também fica mais disposto a colocar fichas em risco executando um grande blefe. Os possíveis resultados de se afundar ainda mais ou se recuperar não são vistos como probabilidades de igual valor. Ao decidir se deve ou não pagar um possível blefe, uma consideração importante é saber se o oponente está no lucro ou no prejuízo.

Eu acho que o fator número um que vai lhe permitir detectar blefes (e evitar pagar apostas fortes quando o oponente tem uma mão monstro) é perceber que um jogador que tem uma mão decente não está disposto a fazer um grande blefe. Simplesmente mostrar uma mão em vez de declarar que ela tem um valor maior para representar um monstro é tanto poker bem jogado quanto uma inclinação humana natural. Blefes são compostos principalmente de draws não que não bateram. Eis algumas mãos que ilustram esse princípio:

Você recebe A-K do mesmo naipe em posição final e um jogador em posição inicial paga o big blind de $25. Você aumenta para $100 e o limper é o único que dá call. O flop vem K-9-3 rainbow, e ele pede mesa. Você aposta $175 e ele paga. O turn é um dois do quarto naipe, ele pede mesa e você aposta $400. Ele paga. No river, um 7 surge, ele aposta $1.200. O que você deve fazer? Contra um oponente que não seja louco, seu A-K não é bom. Se ele tivesse algo como A-Q ou A-J, teria pedido mesa novamente para depois decidir o que fazer se você apostasse. Obviamente, um oponente pouco experiente é capaz de fazer uma jogada maluca em qualquer situação, especialmente em uma mesa barata — mas esse não é um jogo de limites baixos. Na verdade, eu dei fold aqui, e meu oponente me disse mais tarde que tinha flopado uma trinca. Eu acredito que essa tenha sido a verdade. Tive sorte de não haver um flush draw no flop, senão teria sido muito mais difícil largar. Se você se deparar com uma aposta grande em uma situação na qual não há draws no flop, é provável que você esteja diante de uma mão forte em vez de um blefe.

Eis uma situação em que havia um draw no flop. Eu estava em um cash game online com blinds de $5-$10 vários anos atrás. Eu tinha K-Q no button em um pote sem raise com quatro jogadores na mão. O flop veio K-X-X com duas cartas de ouros. O limper UTG apostou $20, que eu paguei. A carta seguinte não parecia grande coisa, e ele apostou $40. Eu paguei de novo. O river foi um humilde dois de outro naipe, absolutamente inofensivo. Para minha surpresa, meu oponente apostou $150. Tive a impressão de que, se ele tivesse flopado um jogo grande, teria apostado valores mais altos desde o início para proteger sua mão, em vez de deixar tudo livre com uma explosão no final. Eu paguei. Sem surpresa, meu oponente estava apostando com o nut flush draw que não bateu. ♠

Fonte: CardPlayer




quarta-feira, 18 de setembro de 2019

O Tamanho Perfeito da Aposta



4 REGRAS QUE VÃO TE AJUDAR A ESCOLHER O TAMANHO PERFEITO DA APOSTA




por George Mathias - Traduzido e adaptado por Luigi Soncin


Escolher o tamanho das apostas (size bets) é uma tarefa desafiadora em No Limit Hold’em.

Não existe um size “perfeito” que pode ser usado em todas as situações. O size ótimo/perfeito dependerá de uma série de fatores, dentre eles: ação pré flop, textura da mesa, tamanho dos stacks e qual jogador que tem o range mais forte (range com maior equidade, isto é, quem tem o que chamamos de “vantagem de range”).

Nesse artigo, nós vamos conversar sobre 4 regras gerais que vão te ajudar a escolher um size bet vencedor em cada situação – seja ele 30% do pote ou uma overbet gigantesca. Cada regra é ilustrada com uma mão de exemplo, que foi jogada pelos membros do Upswing Lab e analisada pelo Doug Polk.

Vamos lá!


REGRA #1: USE APOSTAS PEQUENAS (25-35% DO POTE) EM FLOPS SECOS E BORDOS ESTÁTICOS
Esse tamanho de aposta funciona tanto para extrair valor quanto para negar a equidade do seu adversário quando ele desiste da mão. Em bordos secos, entretanto, negar equidade não é um fator tão relevante porque a maioria das mãos do adversário tem pouca equidade contra nossas mãos que apostam para extrair valor. Quando negar equidade não é um fator importante, você tem mais incentivos para usar sizes pequenos.

Outro benefício de usar um tamanho de aposta pequeno em bordos secos é que o range que vai pagar sua aposta é inelástico – isto é, a porcentagem das vezes que o adversário pagará sua aposta não varia muito de acordo com o tamanho dela. Então por que arriscar apostar mais com seus blefes quando você consegue o mesmo resultado arriscando menos?

Finalmente, apostas pequenas funcionam bem como um ajuste explorável contra jogadores que desistem frequentemente. Isso é particularmente verdade no poker live e nos jogos fáceis do online, que os jogadores jogam para acertar ou foldar.

Eis uma mão jogada por um membro do Upswing Lab que demonstra esse conceito:
ONLINE CASH 6-HANDED. STACK EFETIVO DE 100BB

Herói recebe 6♦ 5♦ no CO.
UTG fold. MP fold. Herói aumenta para 2.5bb. BTN fold. SB folds. BB call.

Flop (5.5bb): A♦ 8♠ 3♣
BB pede mesa. Herói aposta 1.8bb. BB foge.

ANÁLISE DO DOUG

Em um bordo seco como A♦ 8♠ 3♣, um size bet pequeno (33% nesse exemplo) é o que mais faz sentido. Isso acontece porque nosso range de valor (88, 33, A8s, AK, AQ, AJ) tem poucas chances de ser derrotado nas streets futuras, então nós não temos incentivo para evitar que o adversário acerte seu jogo.

Na calculadora de equidades, como você pode ver abaixo, nós podemos ver o quão pequena é a equidade do range do big blind contra o nosso range de valor:




A equidade do range do BB é de 11,32%

E esse quadro mostra as equidades de cada mão do range do big blind contra o nosso range de valor (isto é, não contamos o range de blefe):




Essa discrepância majoritária de equidade do range do big blind comparada com o nosso range faz com que elas não sejam uma ameaça para nosso range.

Além disso o range de call do big blind é inelástico nessa situação. Mãos como KJo vão fugir naturalmente independentemente do size que apostarmos, porque tais combinações tem uma jogabilidade terrível nas rodadas seguintes e estão praticamente mortas contra nossas mãos fortes.

REGRA #2: USE UM TAMANHO GRANDE (55~80% DO POTE) EM BORDOS MOLHADOS E DINÂMICOS
Quando seu range de valor é vulnerável e pode ser vencido por outros jogos em streets futuras você deveria usar um size bet alto. Essa estratégia tem três benefícios notáveis:
Apostas grandes te permitem extrair mais valor e construir um pote maior quando você tem uma grande mão.
Nós queremos extrair valor quando nossa mão é forte (temos uma alta equidade), como ainda há o turn e o river queremos apostar forte para extrair o máximo de valor pois é possível que a força da nossa mão seja reduzida e passemos a ter de uma mão de valor a um mero bluff catcher. Por exemplo: quase metade do baralho é ruim quando temos 9♣ 9♦ no bordo T♥ 9♥ 5♠ 4♠.
Apostas gordas aumentam a probabilidade do seu adversário fugir (ou seja, gera uma fold equity maior), fato que torna seus blefes mais efetivos.

(Note que esse item se aplica nessa situação, pois o range do adversário é elástico)

Essa mão foi jogada por John C. e analisada pelo Doug Polk no Upswing Lab
ONLINE CASH 6-HANDED. STACK EFETIVO DE 100BB.

Herói recebe A♣ A♥ no BTN.
UTG aumenta para 3bb. MP paga. CO fold. Herói aumenta para 11bb. SB fold. BB fol .UTG call. MP call.

Flop (34.5bb): 2♠ 5♥ 3♠
UTG pede mesa. MP dá check. Herói aposta 12bb. UTG paga. MP paga.

Turn (70.5bb): 8♣
UTG check. MP check. Hero aposta 22. UTG fold. MP call.

River (115.14bb): 6♥
MP check. Herói…?

ANÁLISE DO DOUG

Essa aposta no flop de 33% é muito pequena dada a textura da mesa e o fato de ser um pote com vários jogadores (multi-way pot). O bordo é baixo, mas não é tão estático – nosso oponente pode ter uma variedade de flush draws e backdoor draws.

O tamanho do nosso stack é outra razão pela qual queremos apostar mais alto nesse flop. Se apostarmos 22 blinds (65% do pote) e recebermos um call de um jogador, nós veremos o turn com 78,5 blinds em um pote com 67 blinds. Essa proporção do stack em relação ao pote* nos permite dar all-in confortavelmente no turn (mais sobre isso na dica #3).

Quando nós usamos um tamanho de aposta que nos permite ir all-in no turn, nossos blefes vão gerar uma fold equity maior e nossos adversários não terão um preço justo que os permita pagar para acertar seus draws.

REGRA #3: O SPR PRECISE INFLUENCIAR O TAMANHO DA SUA APOSTA

Seu SPR é um fator importante para decidir quanto apostar. Você precisa se antecipar e pensar lá na frente, considerando qual será o tamanho nas rodadas futuras e como você pretende jogar suas mãos de valor e seus blefes.

Se mantendo consistente com o seu tamanho de aposta no flop, turn e river te permitirá gerar uma ótima fold equity. Muitos jogadores apostam muito alto no flop e no turn e como resultado tem um stack muito pequeno, em relação ao pote, no river, fato que faz com que haja pouca fold equity.
150 / 300 TORNEIO AO VIVO 9-HANDED. STACK EFETIVO DE 21,000.

Herói recebe Q♥ Q♦ no BTN.
UTG paga. UTG+1 paga. LJ paga. HJ fold. CO fold. Herói aumenta para 1200. SB fold. BB call. UTG+1 call. LJ call.

Flop (5,250): 3♠ 6♣ 9♥
BB pede mesa. UTG+1 check. LJ check. Herói aposta 3,000. BB fold. UTG+1 call e LJ fold

Turn (11,250): J♦
UTG+1 check. Herói aposta 7,000. UTG+1 aumenta para 15,000. Herói dá all-in de 16,800. UTG+1 paga e mostra 6d6h.

River (44,850): 5♣

ANÁLISE DO DOUG

O primeiro erro no tamanho da aposta é o size pré-flop – algo entre 1800 e 2000 fichas teria sido melhor. Com três limpers já no pote, nós queremos aumentar para um size que não dê aos nossos adversários um bom preço para pagar. Isso é especialmente verdade quando temos QQ uma vez que elas jogam melhor com um SPR baixo e quando poucos oponentes veem o flop.

Supondo que fizéssemos 1,800 e recebêssemos o mesmo número de calls o pote no flop seria de 7650 e teríamos 19200 no stack. Considerando nosso SPR, usando um size de 5.000 (65% do pote) nós teríamos um ótimo all-in no turn – 14,200 em 17,650 supondo que apenas uma pessoa pague (~80% do pote). Esse procedimento nos permite extrair o máximo de valor com nossas mãos fortes enquanto garante uma ótima fold equity para nossos blefes.

REGRA #4: USE OVERBETS QUANDO VOCÊ TEM VANTAGEM DE NUTS

Overbets funcionam bem quando nos flops que você tem vantagem de nuts em relação ao range do seu adversário.

Um range de overbet também deveria ser polarizado – ou seja, composto apenas por mãos fortes e por blefes. Novamente: quando usamos um size alto extraímos o máximo de valor com nossas mãos.

Os blefes de overbets mais efetivos geralmente são mãos que bloqueiam as mãos fortes com que o adversário provavelmente pagaria a aposta. O melhor exemplo é usar esse blocker do flush nuts: A♦ K♠ em Q♦ 8♦ 2♣ 6♦ 3♠.

Essa mão foi jogada pelo Doug e ele analisou sua overbet:
$100 / $200 HEADS-UP. STACK EFETIVO DE $59,416

Doug recebe 4♦ 2♦ no big blind.

BTN aumenta para $700. Doug paga.

Flop ($1,400): 5♠ A♥ Q♦
Doug check. BTN aposta $980. Doug call.

Turn ($3,360): 3♣
Doug check. BTN check.

River ($3,360): 7♦
Doug check. BTN aposta $1,500. Doug aumenta para $10,800. BTN paga e perde com A♠ 2♥.

ANÁLISE DO DOUG

Nós podemos fazer algumas suposições sobre o range do BTN uma vez que ele deu check no turn:
No range dele não tem o nuts (42) porque com certeza ele teria apostado no turn
No range dele não tem nuts no river (64) porque um 64 provavelmente seria usado como semi-blefe
As trincas e dois pares do range do BTN (AA, QQ, 55, AQ, A5) são pouco prováveis no river porque ou ele daria slow-play no flop ou continuaria apostando no turn

Uma vez que é pouco provável que nosso oponente tenha o nuts no river, nós podemos construir nossa estratégia de overbet. Aqui está como nós vamos dividir nosso range de valor:
Overbet check-raise com nossas mãos mais (64, 42, 55, 33)

Dar check-raise aqui nos permite extrair uma aposta a mais dos blefes do nosso adversário e extrair o máximo quando nosso adversário paga com uma mão de valor (como o A2o aqui).

Nós precisamos inserir alguns blefes nessa jogada para que ela esteja balanceada. 54 é um candidato perfeito porque ele bloqueia os combos de trinca (55), de dois pares (A5, Q5, 53) e de sequência (42 e 64).

O tamanho do nosso check-raise nessa situação deveria sempre ser grande (pelo menos 2x o tamanho do pote) porque nós estamos representando um range polarizado.
Overbet com o resto das nossas mãos de valor (35, A5, A3, A7 e algum Ax)

Nós podemos então sair liderando uma aposta maior que o pote com nossas mãos médias-fortes, pois previne que o adversário dê check atrás no river.

Isso é tudo que temos para hoje.

Se você tiver alguma sugestão de tópicos futuros, deixe nos comentários abaixo!

Fonte: ROYALpag